Em jantar no Alvorada, Lula relata decepção com Moraes e Pacheco em aliança para derrotar Messias
Presidente viu digitais da dupla na operação comandada por Alcolumbre que rejeitou indicação ao STF



Cézar Feitoza
Eduardo Gayer
Em clima de inconformismo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) relatou a seu ministros que está pessoalmente decepcionado com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e com o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), porque viu as digitais de ambos na operação que resultou na pior derrota de seu governo. Na noite desta quarta-feira, o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF, uma negativa só vista no Brasil há 132 anos.
O desabafo do presidente foi feito no Palácio da Alvorada, horas após a derrota de Messias. Abalado, o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU) chorou e foi consolado por Lula. Participaram do encontro os ministros José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) e José Múcio Monteiro (Defesa), além do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Lula considerava Moraes um aliado na Suprema Corte desde 8 de janeiro de 2023, quando o magistrado relatou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Nos bastidores, o ministro do STF nega ter atuado para derrotar Messias em uma articulação com bolsonaristas, de quem é alvo preferencial.
No caso de Pacheco, o presidente viu um movimento de vingança por ter preterido o senador na escolha para a Corte. O ex-presidente do Senado também nega a traição ao governo e lembra que almoçou com Messias na véspera de sua sabatina, na presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, e subscreveu uma carta de apoio ao AGU.
Lula ainda avalia que o ministro Flávio Dino, alçado por ele ao STF, também trabalhou contra por desavenças pessoais com o AGU, da época em que os dois disputavam a indicação de Lula ao tribunal. Procurado, o magistrado afirmou que, de acordo com a Lei da Magistratura Nacional, não comenta temas de natureza política.









