Política

PT defende manutenção do diálogo com Alcolumbre, mesmo após rejeição de Messias

Secretário do partido descarta rompimento com presidente do Senado e aposta em diálogo para garantir governabilidade

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O PT defende a manutenção do diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, mesmo após a derrota do governo com a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A posição foi confirmada nesta quinta-feira (30) pelo secretário de Comunicação do partido, Éden Valadares, que descartou qualquer rompimento institucional e reforçou a aposta em articulação política para garantir governabilidade.

Em entrevista ao programa News Manhã, do SBT News, Valadares afirmou que o momento exige "diálogo sereno, maduro e republicano" entre o governo federal e o Congresso Nacional. Segundo ele, a estratégia do PT não passa por confronto direto com lideranças políticas, mas pela construção de consensos em torno de agendas consideradas prioritárias.

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"A gente não rompe com pessoas. Nós temos que dialogar sobre agenda, sobre propostas. Não há que se falar em rompimento algum", disse o dirigente, ao comentar a relação com Alcolumbre após a derrota no Senado.

A rejeição do nome de Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao STF, foi interpretada pelo PT como um movimento político e não técnico. Para Valadares, o episódio faz parte de um cenário mais amplo de "crise institucional" e revela mudanças na dinâmica do Congresso, onde as votações nem sempre seguem orientações partidárias tradicionais.

O secretário destacou que o governo agora busca entender os motivos que levaram à derrota, mas evitou atribuir responsabilidades diretas. "Vitórias e derrotas são naturais da democracia. É momento de refletir e entender o que aconteceu", afirmou.

Apesar do revés, o PT sinaliza que pretende manter a articulação política ativa no Congresso, especialmente diante de pautas consideradas estratégicas para o governo, como mudanças na jornada de trabalho, políticas de transporte e medidas econômicas.

Valadares também indicou que o nível de proximidade com o comando do Senado dependerá da condução da agenda legislativa. Segundo ele, o partido apoiará iniciativas que promovam crescimento econômico, justiça social e estabilidade institucional.

"Se a agenda do presidente Alcolumbre e do Congresso Nacional for ao encontro dessa autonomia, do fim da escala 6 por 1, da tarifa zero, se for uma agenda que gere prosperidade para o povo brasileiro, a gente estará ao lado dessa agenda. Não brigamos com pessoas, a gente briga com ideias", concluiu.

Derrota gera clima de cobrança e desconfianças

A falta de votos para aprovar o nome de Jorge Messias expôs falta de articulação do governo Lula e gerou críticas na base contra os líderes Jaques Wagner (PT-BA) e Randolfe Rodrigues (PT-AP). A informação é da colunista Basília Rodrigues.

A leitura entre aliados é de que os líderes no Senado não entraram em campo para segurar votos até o fim. A ausência do ministro da Justiça, Wellington César – que tem perfil mais técnico –, foi vista também como uma desvantagem para o governo e Messias.

Poucos minutos antes da checagem dos votos no painel, auxiliares do Palácio do Planalto calculavam 43 votos, placar alinhado com a ideia de aprovação por margem apertada. Após a revelação do resultado, porém, ficou evidente que as informações que o governo recebia estavam bem longe da realidade. Messias obteve 34 votos favoráveis e 42 contrários. Eram necessário 41 votos para a aprovação.

Com a rejeição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá de indicar outro nome para a vaga. Embora não haja impedimento constitucional para que ele indique o AGU novamente, a tendência é que o presidente recalibre a escolha.

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