PT defende manutenção do diálogo com Alcolumbre, mesmo após rejeição de Messias
Secretário do partido descarta rompimento com presidente do Senado e aposta em diálogo para garantir governabilidade




Emanuelle Menezes
Victoria Abel
Iander Porcella
Nathalia Fruet
O PT defende a manutenção do diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, mesmo após a derrota do governo com a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A posição foi confirmada nesta quinta-feira (30) pelo secretário de Comunicação do partido, Éden Valadares, que descartou qualquer rompimento institucional e reforçou a aposta em articulação política para garantir governabilidade.
Em entrevista ao programa News Manhã, do SBT News, Valadares afirmou que o momento exige "diálogo sereno, maduro e republicano" entre o governo federal e o Congresso Nacional. Segundo ele, a estratégia do PT não passa por confronto direto com lideranças políticas, mas pela construção de consensos em torno de agendas consideradas prioritárias.
"A gente não rompe com pessoas. Nós temos que dialogar sobre agenda, sobre propostas. Não há que se falar em rompimento algum", disse o dirigente, ao comentar a relação com Alcolumbre após a derrota no Senado.
A rejeição do nome de Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao STF, foi interpretada pelo PT como um movimento político e não técnico. Para Valadares, o episódio faz parte de um cenário mais amplo de "crise institucional" e revela mudanças na dinâmica do Congresso, onde as votações nem sempre seguem orientações partidárias tradicionais.
O secretário destacou que o governo agora busca entender os motivos que levaram à derrota, mas evitou atribuir responsabilidades diretas. "Vitórias e derrotas são naturais da democracia. É momento de refletir e entender o que aconteceu", afirmou.
Apesar do revés, o PT sinaliza que pretende manter a articulação política ativa no Congresso, especialmente diante de pautas consideradas estratégicas para o governo, como mudanças na jornada de trabalho, políticas de transporte e medidas econômicas.
Valadares também indicou que o nível de proximidade com o comando do Senado dependerá da condução da agenda legislativa. Segundo ele, o partido apoiará iniciativas que promovam crescimento econômico, justiça social e estabilidade institucional.
"Se a agenda do presidente Alcolumbre e do Congresso Nacional for ao encontro dessa autonomia, do fim da escala 6 por 1, da tarifa zero, se for uma agenda que gere prosperidade para o povo brasileiro, a gente estará ao lado dessa agenda. Não brigamos com pessoas, a gente briga com ideias", concluiu.
Derrota gera clima de cobrança e desconfianças
A falta de votos para aprovar o nome de Jorge Messias expôs falta de articulação do governo Lula e gerou críticas na base contra os líderes Jaques Wagner (PT-BA) e Randolfe Rodrigues (PT-AP). A informação é da colunista Basília Rodrigues.
A leitura entre aliados é de que os líderes no Senado não entraram em campo para segurar votos até o fim. A ausência do ministro da Justiça, Wellington César – que tem perfil mais técnico –, foi vista também como uma desvantagem para o governo e Messias.
Poucos minutos antes da checagem dos votos no painel, auxiliares do Palácio do Planalto calculavam 43 votos, placar alinhado com a ideia de aprovação por margem apertada. Após a revelação do resultado, porém, ficou evidente que as informações que o governo recebia estavam bem longe da realidade. Messias obteve 34 votos favoráveis e 42 contrários. Eram necessário 41 votos para a aprovação.
Com a rejeição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá de indicar outro nome para a vaga. Embora não haja impedimento constitucional para que ele indique o AGU novamente, a tendência é que o presidente recalibre a escolha.









