Brasil

Joias e cartão corporativo: as frentes em que Bolsonaro é investigado por uso da máquina pública

Fraude na inserção de falsa vacinação contra covid-19 foi primeiro inquérito finalizado, mas ex-presidente e aliados são alvos de outras linhas de investigação

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Ricardo Brandt
21/03/2024, 18:58 • Atualizado em 21/03/2024, 20:27
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Joias e cartão corporativo: as frentes em que Bolsonaro é investigado por uso da máquina pública

A frente de investigação da Polícia Federal (PF) que levou ao indiciamento de Jair Bolsonaro (PL) nesta semana, por fraudes em registros de vacinação contra Covid-19, tem outras duas apurações em curso: a de uso dos cartões corporativos da Presidência para pagamentos de despesas pessoais, e a de venda e desvio de joias ganhas pelo ex-presidente de autoridades estrangeiras.

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Os casos investigados pela PF estão dentro "dos cinco eixos de atuação" da suposta "organização criminosa" por trás da trama golpista, que tem Bolsonaro como figura central.

O eixo que inclui os casos do falso registro de vacinação, de possível desvio de recursos da União por meio de gastos indevidos com os cartões de crédito presidencial e de vendas e apropriação de joias foram listados pelo delegado Fábio Alvarez Shor como "uso da estrutura do Estado para obtenção de vantagens".

As apurações integram o inquérito das milícias digitais e incluem os alvos da Operação Tempus Veritatis. Com a ação, deflagrada no início de fevereiro, o ex-presidente passou a ser alvo dos inquéritos por participação nos crimes de tentativa de golpe de Estado que resultaram no 8 de janeiro de 2023.

Dinheiro público

O cerco a Bolsonaro e ao clã bolsonarista ganhou contorno desde o final de 2023. O acordo de delação fechado pela PF com Mauro Cid, o ex-ajudante de ordem do Planalto, e a ação que mirou membros do alto comando das Forças Armadas e do PL, em fevereiro, na Tempus Veritatis, foram fundamentais, segundo apurou o SBT News.

Mauro Cid é figura central nas apurações sobre o possível uso de dinheiro público para financiar trama golpista pelo chamado "núcleo operacional e financeiro".

No caso do dinheiro dos cartões, recursos públicos também podem ter sido usados para financiar os atos golpistas. Um dos alvos foi preso na Tempus Veritatis, o major do Exército Rafael Martins de Oliveira, que apareceu em conversas com Mauro Cid, por aplicativo de celular.

"O teor dos diálogos, em cotejo com outros elementos de informação ao longo da investigação, revelam fortes indícios de que o major Rafael Martins de Oliveira atuou diretamente, direcionando os manifestantes para os alvos de interesse dos investigados, como STF e Congresso Nacional, além de realizar a coordenação financeira e operacional para dar suporte aos atos antidemocráticos, como novos indícios de arregimentação e utilização de integrantes das Forças Especiais do Exército especializados em atuação em ambientes hostis, negados, ou politicamente sensíveis, para subverter o Estado Democrático de Direito", trecho de representação da PF.

Os dois falam sobre um custo de R$ 100 mil a ser coberto que estaria relacionado a manifestações organizadas pelos investigados na trama golpista. Em seu depoimento à PF, Martins negou crime e permaneceu calado.

As confissões de Mauro Cid e o conteúdo de depoimentos dos ex-comandantes do Exército, Marco Antonio Freire Gomes, e da Aeronáutica, João Baptista Júnior, foram decisivos para o avanço das investigações sobre a participação de Bolsonaro nos fatos. .

Na frente do uso de recursos do Estado, as investigações sobre os gastos de cartão corporativo e a venda de joias são inquéritos que devem ser encerrados no pacote que apontará qual o envolvimento do ex-presidente na tentativa de golpe de Estado.

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