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Bolsonaro convocou Forças Armadas para golpe e anulação de eleição, diz Freire Gomes

Ex-comandante do Exército citou à PF reuniões no Planalto e na Alvorada, antes e depois da derrota; ex-presidente foi alertado sobre crimes

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Ricardo Brandt
15/03/2024, 18:34 • Atualizado em 15/03/2024, 19:56
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Bolsonaro convocou Forças Armadas para golpe e anulação de eleição, diz Freire Gomes

O general Marco Antonio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, afirmou à Polícia Federal que Jair Bolsonaro (PL), ainda como presidente, convocou os comandos das Forças Armadas durante a disputa eleitoral de 2022 e depois da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para apresentar um plano de golpe de Estado e buscar apoio militar.

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Freire Gomes, que afirmou ter sido contrário ao movimento golpista, relatou detalhes de reuniões para que foi convocado por Bolsonaro, no Planalto, em julho de 2022, e também no Palácio da Alvorada (residência oficial do presidente da República) em novembro, após a derrota nas urnas.

"Sempre deixou evidenciado ao então presidente da República Jair Bolsonaro, que o Exército não participaria na implementação desses institutos jurídicos visando reverter o processo eleitoral", regista o depoimento de Freire Gomes.

Freire Gomes depôs no dia 1º de março, no inquérito de que faz parte a Operação Tempus Veritatis, que tem investiga um plano de golpe de Bolsonaro com o apoio de membros das Forças Armadas e do governo.

O depoimento de 23 páginas dá a Bolsonaro um papel de destaque na trama golpista, que resultou nos crimes do 8 de janeiro de 2023. O ex-comandante do Exército detalhou os instrumentos jurídicos que poderiam ser usados para reverter o resultado das eleições e disse que o ex-presidente buscava apoio das Forças Armadas.

No encontro no Alvorada, no dia 7 de dezembro, Bolsonaro e assessores apresentaram 3 possibilidades: "utilização de institutos jurídicos como GLO (Garantia da Lei e da Ordem), estado de defesa e sítio em relação ao processo eleitoral".

Contrário ao golpe

Freire Gomes afirmou que a "trama golpista" apresentada por Bolsonaro "não tinha respaldo das Forças Armadas". O general relatou à PF que deixou claro ao então presidente que o Exército não apoiaria uma tentativa de golpe de Estado.

"[Freire Gomes] confirma que o conteúdo da minuta de decreto apresentada foi exposto ao declarante nas referidas reuniões. Que ressalta que deixou evidenciado a Bolsonaro e ao ministro da Defesa [general Paulo Sérgio Nogueira] que o Exército não aceitaria qualquer ato de ruptura institucional", trecho da transcrição do depoimento do general Freire Gomes, ex-comandante do Exército, à PF.

Freire Gomes falou por 7 horas à PF. O conteúdo dos 27 depoimentos da Operação Tempus Veritatis foi tornado público nesta sexta-feira (15), pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O advogado e ex-assessor de Bolsonaro, Fabio Wajngarten, divulgou em rede social que não teve acesso ainda ao depoimento de Freire Gomes. O espaço segue aberto para manifestação.

Minuta do golpe

Freire Gomes confirmou ainda que o documento localizado pela PF na casa do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Anderson Torres era um dos instrumentos que seriam usados e foi apresentado por Bolsonaro aos comandantes das Forças Armadas em reunião no Alvorada.

A chamada "minuta do golpe" foi desqualificada como documento de prova pela defesa de Bolsonaro. A PF identificou, no entanto, nos telefones celulares dos investigados, as digitais do ex-presidente na redação final do documento. O papel decretaria intervenção no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para anular o resultado das eleições 2022, sob argumento de fraude nas urnas eletrônicas.

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