Bolsonaro convocou Forças Armadas para golpe e anulação de eleição, diz Freire Gomes
Ex-comandante do Exército citou à PF reuniões no Planalto e na Alvorada, antes e depois da derrota; ex-presidente foi alertado sobre crimes
R
Ricardo Brandt
O general Marco Antonio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, afirmou à Polícia Federal que Jair Bolsonaro (PL), ainda como presidente, convocou os comandos das Forças Armadas durante a disputa eleitoral de 2022 e depois da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para apresentar um plano de golpe de Estado e buscar apoio militar.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
Freire Gomes, que afirmou ter sido contrário ao movimento golpista, relatou detalhes de reuniões para que foi convocado por Bolsonaro, no Planalto, em julho de 2022, e também no Palácio da Alvorada (residência oficial do presidente da República) em novembro, após a derrota nas urnas.
"Sempre deixou evidenciado ao então presidente da República Jair Bolsonaro, que o Exército não participaria na implementação desses institutos jurídicos visando reverter o processo eleitoral", regista o depoimento de Freire Gomes.
Freire Gomes depôs no dia 1º de março, no inquérito de que faz parte a Operação Tempus Veritatis, que tem investiga um plano de golpe de Bolsonaro com o apoio de membros das Forças Armadas e do governo.
O depoimento de 23 páginas dá a Bolsonaro um papel de destaque na trama golpista, que resultou nos crimes do 8 de janeiro de 2023. O ex-comandante do Exército detalhou os instrumentos jurídicos que poderiam ser usados para reverter o resultado das eleições e disse que o ex-presidente buscava apoio das Forças Armadas.
No encontro no Alvorada, no dia 7 de dezembro, Bolsonaro e assessores apresentaram 3 possibilidades: "utilização de institutos jurídicos como GLO (Garantia da Lei e da Ordem), estado de defesa e sítio em relação ao processo eleitoral".
Contrário ao golpe
Freire Gomes afirmou que a "trama golpista" apresentada por Bolsonaro "não tinha respaldo das Forças Armadas". O general relatou à PF que deixou claro ao então presidente que o Exército não apoiaria uma tentativa de golpe de Estado.
"[Freire Gomes] confirma que o conteúdo da minuta de decreto apresentada foi exposto ao declarante nas referidas reuniões. Que ressalta que deixou evidenciado a Bolsonaro e ao ministro da Defesa [general Paulo Sérgio Nogueira] que o Exército não aceitaria qualquer ato de ruptura institucional", trecho da transcrição do depoimento do general Freire Gomes, ex-comandante do Exército, à PF.
O advogado e ex-assessor de Bolsonaro, Fabio Wajngarten, divulgou em rede social que não teve acesso ainda ao depoimento de Freire Gomes. O espaço segue aberto para manifestação.
Minuta do golpe
Freire Gomes confirmou ainda que o documento localizado pela PF na casa do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Anderson Torres era um dos instrumentos que seriam usados e foi apresentado por Bolsonaro aos comandantes das Forças Armadas em reunião no Alvorada.
A chamada "minuta do golpe" foi desqualificada como documento de prova pela defesa de Bolsonaro. A PF identificou, no entanto, nos telefones celulares dos investigados, as digitais do ex-presidente na redação final do documento. O papel decretaria intervenção no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para anular o resultado das eleições 2022, sob argumento de fraude nas urnas eletrônicas.
Entenda a Operação Tempus Veritatis da PF, que encurralou Bolsonaro, militares e ex-ministros
Bolsonaro convocou Forças Armadas para golpe e anulação de eleição, diz Freire GomesEx-comandante do Exército citou à PF reuniões no Planalto e na Alvorada, antes e depois da derrota; ex-presidente foi alertado sobre crimesBrasil2024-03-15T18:34:32.023ZO general Marco Antonio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, afirmou à Polícia Federal que (PL), ainda como presidente, convocou os comandos das Forças Armadas durante a disputa eleitoral de 2022 e depois da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para apresentar um plano de golpe de Estado e buscar apoio militar. Freire Gomes, que afirmou ter sido contrário ao movimento golpista, relatou detalhes de reuniões para que foi convocado por Bolsonaro, no Planalto, em julho de 2022, e também no Palácio da Alvorada (residência oficial do presidente da República) em novembro, após a derrota nas urnas. + "Sempre deixou evidenciado ao então presidente da República Jair Bolsonaro, que o Exército não participaria na implementação desses institutos jurídicos visando reverter o processo eleitoral", regista o depoimento de Freire Gomes. Freire Gomes depôs no dia 1º de março, no inquérito de que faz parte a Operação Tempus Veritatis, que tem investiga um plano de golpe de Bolsonaro com o apoio de membros das Forças Armadas e do governo. O depoimento de 23 páginas dá a Bolsonaro um papel de destaque na trama golpista, que resultou nos crimes do 8 de janeiro de 2023. O ex-comandante do Exército detalhou os instrumentos jurídicos que poderiam ser usados para reverter o resultado das eleições e disse que o ex-presidente buscava apoio das Forças Armadas. + + No encontro no Alvorada, no dia 7 de dezembro, Bolsonaro e assessores apresentaram 3 possibilidades: "utilização de institutos jurídicos como GLO (Garantia da Lei e da Ordem), estado de defesa e sítio em relação ao processo eleitoral". Contrário ao golpe Freire Gomes afirmou que a "trama golpista" apresentada por Bolsonaro "não tinha respaldo das Forças Armadas". O general relatou à PF que deixou claro ao então presidente que o Exército não apoiaria uma tentativa de golpe de Estado. "[Freire Gomes] confirma que o conteúdo da minuta de decreto apresentada foi exposto ao declarante nas referidas reuniões. Que ressalta que deixou evidenciado a Bolsonaro e ao ministro da Defesa [general Paulo Sérgio Nogueira] que o Exército não aceitaria qualquer ato de ruptura institucional", trecho da transcrição do depoimento do general Freire Gomes, ex-comandante do Exército, à PF. Freire Gomes falou por 7 horas à PF. O nesta sexta-feira (15), pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O advogado e ex-assessor de Bolsonaro, Fabio Wajngarten, divulgou em rede social que não teve acesso ainda ao depoimento de Freire Gomes. O espaço segue aberto para manifestação. Minuta do golpe Freire Gomes confirmou ainda que o documento localizado pela PF na casa do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Anderson Torres era um dos instrumentos que seriam usados e foi apresentado por Bolsonaro aos comandantes das Forças Armadas em reunião no Alvorada. A chamada "minuta do golpe" foi desqualificada como documento de prova pela defesa de Bolsonaro. A PF identificou, no entanto, nos telefones celulares dos investigados, as digitais do ex-presidente na redação final do documento. O papel decretaria intervenção no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para anular o resultado das eleições 2022, sob argumento de fraude nas urnas eletrônicas. Entenda a Operação Tempus Veritatis da PF, que encurralou Bolsonaro, militares e ex-ministros São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/bolsonaro-convocou-forcas-armadas-para-golpe-e-anulacao-de-eleicao-diz-freire-gomes
Agente de JD Vance é suspenso por vazamento à imprensa
Suspeito teria revelado informações sobre viagens do vice-presidente dos EUA; não está claro se ele será sancionado administrativamente ou acusado criminalmente