Bombeiros encerram buscas após 12º corpo ser encontrado em desabamento de lar de idosos em BH
Imóvel era alvo do Ministério Público, que pedia o fechamento do estabelecimento desde 2017


SBT News
Estado de Minas
Subiu para 12 o número de mortos em decorrência do desabamento da Casa de Repouso Pró-Vida, em Belo Horizonte (MG), na quinta-feira (5). Com isso, a corporação encerrou os trabalhos no local. Ao todo, 29 pessoas estavam no local durante a tragédia, sendo que nove conseguiram sair sem ajuda de terceiros.
Segundo o Corpo de Bombeiros, a edificação tinha três pavimentos, além do térreo, onde funcionava uma clínica de bronzeamento. O lar de idosos ficava no primeiro andar e a casa do proprietário, acima, no segundo andar. No terceiro, funcionava uma academia, do filho do dono do asilo.
O desabamento ocorreu à 1h30 da manhã. Entre as vítimas, estavam os dois proprietários do estabelecimento, pai e filho. Renato Duarte Terrinha Ramos, o filho, morreu nos escombros.
Uma apuração do Estado de Minas, parceiro do SBT, mostrou que a casa de repouso era alvo de uma ação judicial que pedia o seu fechamento desde 2017. A ação foi proposta pela Promotoria de Justiça de Defesa das Pessoas Idosas do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
Segundo a promotora Jacqueline Ferreira Moisés, o desabamento não pode ser tratado como uma fatalidade. "Esta era uma instituição que a promotoria fiscaliza desde 2013. Nós demos à instituição a oportunidade de regularizar os erros extrajudicialmente, mas isso não foi feito. Desde 2017 existe uma ação pedindo o fechamento por irregularidades muito graves", afirmou.
Ao todo, 12 vistorias técnicas foram realizadas no imóvel ao longo dos últimos anos, envolvendo tanto análise estrutural quanto avaliação psicossocial dos residentes. As inspeções identificaram problemas graves e recorrentes, como infiltrações, presença de mofo, pisos irregulares, ventilação inadequada, superlotação progressiva e ausência de estrutura adequada de para lazer.
Apesar das recomendações do Ministério Público, o funcionamento da instituição continuou após decisões judiciais que solicitaram novas análises. De acordo com Jacqueline, os laudos técnicos mais recentes foram encaminhados ao Judiciário em novembro de 2025, mas ainda aguardavam decisão.
"O juiz entendia que as alegações do Ministério Público eram genéricas e solicitava mais vistorias. Mesmo assim, já havia motivos suficientes para o fechamento", disse a promotora. "Não podemos dizer que foi uma fatalidade. Não foi por falta de tempo nem por falta de pedidos para fechar. Foi por falta de decisões”, acrescentou.
Jacqueline ainda alertou que existem outras instituições em situação semelhante, funcionando mesmo sem cumprir as exigências legais: "Essa mensagem é muito importante, porque assim como esta instituição, há várias outras com a mesma carência de condições, e que solicitamos o fechamento, mas os pedidos seguem ignorados.”








