"Perda de tempo", diz Trump sobre envio de tropas terrestres ao Irã
Presidente norte-americano disse não considerar possibilidade, já que ataques aéreos estão destruindo as forças iranianas


Camila Stucaluc
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartou a possibilidade de enviar tropas terrestres ao Irã. Em entrevista à NBC News, na quinta-feira (5), o republicano afirmou que a ação seria “uma perda de tempo”, já que o regime iraniano "está perdendo tudo”.
"É perda de tempo. [Os iranianos] perderam tudo. Eles perderam sua marinha. Eles perderam tudo o que poderiam perder", disse Trump, referindo-se à operação coordenada entre Estados Unidos e Israel, que vêm bombardeando Teerã desde o último fim de semana.
A declaração veio em resposta ao ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, que havia dito que o país estava preparado para uma ofensiva terrestre norte-americana. "Estamos esperando por eles. Temos certeza de que podemos enfrentá-los e que isso seria um desastre para eles", disse, em fala considerada “inútil” por Trump.
Apesar de desconsiderar uma ofensiva terrestre, os Estados Unidos prometeram ampliar os ataques aéreos contra o regime iraniano. Durante coletiva, o Secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse que “o poder de fogo sobre o Irã está prestes a aumentar drasticamente”, citando a decisão do Reino Unido de permitir o uso de bases militares no Oriente Médio por Washington para ataques defensivos contra Teerã.
Uma escalada também foi prometida pelo chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (FDI, na sigla em inglês), Eyal Zamir, que mencionou “novas surpresas” para derrubar o regime iraniano. “Passamos à fase seguinte da operação. Continuaremos desmantelando o regime iraniano e sua capacidade militar. Ainda temos outras surpresas reservadas”, disse.
As declarações foram criticadas por Araghchi, que voltou a criticar a administração Trump por atacar o Irã durante as negociações nucleares. Negociamos duas vezes com esta administração dos Estados Unidos. Nas duas vezes, fomos atacados no meio das conversas. Ele [Trump] assume total responsabilidade pelo derramamento de sangue”, disse o ministro à NBC News.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (28). O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Na última semana, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".








