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Objetivo dos ataques ao Irã não é mudança de regime, diz secretário de Defesa de Trump

Pete Hegseth afirmou que ofensiva é “clara e decisiva” e negou que ação seja como a intervenção dos EUA no Iraque: "Isso não é interminável"

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Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados Unidos | Reprodução/Reuters
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O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta segunda-feira (2) que os ataques ao Irã não têm como objetivo promover uma “mudança de regime”, mesmo depois das operações iniciadas no fim de semana terem assassinado o líder supremo do país, Ali Khamenei.

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“Esta não é uma chamada guerra por mudança de regime, mas o regime certamente mudou — e o mundo está melhor por isso”, disse Hegseth, que também afirmou não se tratar de uma guerra como a do Iraque.

“Isso não é o Iraque”, disse Hegseth no Pentágono. “Isso não é interminável...é o oposto”, acrescentou. “Esta operação é uma missão clara, devastadora e decisiva: destruir a ameaça de mísseis, destruir a Marinha, sem armas nucleares.”

As declarações contradizem informações divulgadas pelo governo dos Estados Unidos em julho de 2025, após a guerra de 12 dias. Na ocasião, os EUA e Israel conduziram ataques militares contra instalações nucleares do país persa.

Na coletiva de imprensa desta segunda, o secretário de Trump também afirmou que os Estados Unidos não iniciaram a guerra, alegando que o Irã realiza ataques há décadas em uma “guerra unilateral contra a América”.

“Não começamos esta guerra, mas, sob o presidente Trump, estamos terminando-a”, acrescentou Hegseth.

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no último sábado (28). O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações do Irã com os Estados Unidos sobre um novo acordo nuclear.

O presidente Donald Trump acusa Teerã de estar próximo de desenvolver uma bomba atômica, bem como mísseis de longo alcance. A afirmação é negada pelo regime iraniano, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Na última semana, representantes de ambos os países se encontraram em Genebra, na Suíça, para debater um novo acordo. Eles haviam classificado a reunião como positiva, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O ataque, portanto, foi inesperado, segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi.

Conselho de Liderança

Após o assassinato do líder Ali Khamenei, o aiatolá Alireza Arafi foi eleito líder supremo interino do Irã. Segundo as autoridades, Arafi ficará à frente do Conselho Interino de Liderança iraniano, com a tarefa de comandar o processo de escolha de um novo líder supremo. O grupo também é composto pelo presidente, Masoud Pezeshkian, e pelo chefe do Judiciário, Gholam Hossein Mohseni-Ejei.

“O Conselho de Discernimento de Conveniência selecionou o aiatolá Alireza Arafi como membro do Conselho Provisório de Liderança, para que a liderança do sistema possa continuar sem interrupção e a Assembleia de Especialistas possa escolher um líder permanente o mais rápido possível”, disse o porta-voz do conselho, Mohsen Dehnavi.

O Irã é formado por um regime teocrático desde 1979, quando a monarquia do Xá Reza Palévi foi derrubada na Revolução Iraniana. Isso significa que o país é governado por líderes religiosos ou baseado em dogmas de alguma religião. O aiatolá detém o poder máximo, seguido do presidente e do chamado "Conselho Guardião", composto por juristas islâmicos (clérigos) e juristas leigos (advogados).

Até então, apenas duas pessoas ocuparam a função de líder supremo: o aiatolá Khomeíni até 1989, e desde então, Ali Khamenei. Com a morte de Khamenei, vítima de um bombardeio aéreo no complexo presidencial, o posto fica vago, sendo definido por clérigos da Assembleia de Especialistas.

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