Portas para diplomacia entre EUA e Irã permanecem abertas, diz ministro de Omã
País tem atuado como mediador nas negociações nucleares entre os países


Camila Stucaluc
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, disse que a “porta para diplomacia” entre Estados Unidos e Irã permanece aberta. Em declaração nesta segunda-feira (2), o político, que tem atuado como mediador nas negociações nucleares entre os países, incentivou a retomada das conversas.
“As negociações em Genebra trouxeram avanços genuínos rumo a um acordo sem precedentes entre Irã e Estados Unidos e, embora a esperança fosse evitar a guerra, guerra não deveria significar que a esperança de paz está extinta. Ainda acredito no poder da diplomacia para resolver esse conflito. Quanto mais cedo as conversas forem retomadas, melhor será para todos”, disse Albusaidi.
A declaração do ministro vem em resposta à escalada de conflito entre Estados Unidos e Irã. No último sábado (28), Teerã foi alvo de um ataque coordenado entre Washington e Israel, que culminou na morte de mais de 200 pessoas, incluindo o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.
O bombardeio ocorreu em meio às negociações do Irã com os Estados Unidos sobre um novo acordo nuclear. O presidente Donald Trump acusa Teerã de estar próximo de desenvolver uma bomba atômica, bem como mísseis de longo alcance. A afirmação é negada pelo regime iraniano, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Na última semana, representantes de ambos os países se encontraram em Genebra, na Suíça, para debater um novo acordo. Eles haviam classificado a reunião como positiva, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O ataque, portanto, foi inesperado, segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi.
“Um acordo estava ao alcance. Saímos de Genebra com o entendimento de que fecharíamos um acordo na próxima vez que nos encontrássemos. Aqueles que queriam prejudicar a diplomacia tiveram sucesso em sua missão. Mas foi Trump, mais uma vez, quem acabou ordenando o bombardeio da mesa de negociações. Temos o direito legítimo de nos defender”, disse o ministro, em entrevista à ABC News.
Sem diálogo
No domingo (1º), Trump afirmou que a operação contra o Irã continuará até que todos os objetivos militares dos Estados Unidos sejam alcançados. À revista The Atlantic, o presidente norte-americano revelou que a nova liderança iraniana manifestou interesse em negociar com Washington e que ele concordou em abrir diálogo.
A fala, no entanto, foi rejeitada pelo chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, que disse que Teerã não irá negociar com os Estados Unidos. "Trump mergulhou a região no caos com suas ‘fantasias delirantes’ e agora teme mais baixas entre tropas americanas. Com suas ações delirantes, ele transformou seu slogan autoproclamado ‘América Primeiro’ em ‘Israel Primeiro’ e sacrificou soldados americanos pelas ambições sedentas de poder de Israel. Hoje, a nação iraniana está se defendendo”, disse.









