Diretor do Centro Islâmico do Brasil critica política dos EUA e diz que interesse é “tomar o petróleo de todos os países”
Sheikh Nasser Khazraji afirma que falta de confiança impede diálogo com Washington e defende que modelo islâmico reflete a escolha do povo iraniano

SBT News
O diretor do Centro Islâmico do Brasil, Sheikh Nasser Khazraji, afirmou neste domingo (1º), em entrevista exclusiva ao SBT News, que o atual confronto envolvendo o Irã é fruto de décadas de tensões políticas e estratégicas. Segundo ele, o cenário é marcado por interesses econômicos e pela tentativa dos Estados Unidos de ampliar sua influência sobre países ricos em recursos energéticos.
“Nenhum iraniano deseja isso, e não desejamos isso para nenhum país. O Irã é um país de paz, nunca começou nenhuma guerra nos últimos 200 anos”, afirmou.
Ao comentar a possibilidade de diálogo com Washington, Khazraji afirmou que a principal barreira é a falta de confiança. “Existe uma grande brecha entre o Irã e os Estados Unidos, e essa brecha se chama falta de confiança. Como dialogar com um país que traiu a confiança durante negociações e iniciou uma guerra?”, questionou.
Ele também fez críticas diretas à política externa americana e afirmou que os interesses econômicos, especialmente ligados ao petróleo e ao gás, estão no centro da disputa geopolítica.
“Enquanto os Estados Unidos tiverem essa política de querer impor suas decisões e seus interesses acima de tudo, de querer tomar o petróleo de todos os países, está muito evidente que a política americana está atrás da riqueza de todos os países ricos em fontes de energia”, afirmou.
Segundo o diretor do Centro Islâmico do Brasil, o fato de o Irã não se alinhar aos interesses americanos incomoda Washington. “Um país com mais de 90 milhões de habitantes, com uma das maiores reservas de gás e petróleo do mundo e em posição estratégica, que não cede ao modelo americano, preocupa os Estados Unidos”, disse.
Khazraji afirmou que as tensões não são recentes e remontam à Revolução Islâmica, destacando que o conflito com os Estados Unidos se estende há 47 anos, desde a escolha do modelo islâmico pelo povo iraniano, período em que o país passou a sofrer sanções econômicas, boicotes e pressões políticas.
Ele disse ainda que, apesar de existirem diferentes opiniões dentro da sociedade iraniana, há amplo apoio ao modelo político atual e destacou que o sistema islâmico foi aprovado por referendo popular, em 1979. De acordo com os números oficiais divulgados pelo governo do Aiatolá Khomeini na época, 98,2% dos eleitores votaram "sim" para a substituição da monarquia por uma República Islâmica.








