Jornalista incluído por engano em grupo revela novos trechos sobre plano de guerra do governo dos EUA
Publicação decidiu divulgar mais detalhes após declarações do governo de que nenhuma "informação sigilosa" foi compartilhada no grupo

SBT News
A revista norte-americana The Atlantic revelou nesta semana a existência de um grupo de mensagens no aplicativo Signal, onde altos funcionários do governo Trump discutiram detalhes operacionais de um ataque ao Iêmen. A troca de informações, que incluía horários exatos de decolagem de caças e alvos a serem atingidos, foi acidentalmente compartilhada com o editor-chefe da publicação, Jeffrey Goldberg, que foi adicionado ao chat por engano pelo assessor de Segurança Nacional, Michael Waltz.
A revelação gerou grande repercussão e levou a questionamentos sobre o uso de canais não seguros para tratar de operações militares sensíveis.
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Em uma audiência no Senado, a diretora de Inteligência Nacional Tulsi Gabbard e o diretor da CIA, John Ratcliffe, minimizaram a gravidade da situação. Ambos alegaram que nenhuma informação classificada foi compartilhada no grupo. O presidente Donald Trump também reforçou essa posição, afirmando que "não era informação sigilosa".
Diante das declarações oficiais que negavam a gravidade das mensagens, a Atlantic optou por publicar nesta quarta-feira (26) as conversas na íntegra, mantendo apenas a identidade de um chefe de gabinete da CIA em sigilo.
A decisão, segundo a publicação, foi tomada após a Casa Branca e outras agências do governo se recusarem a explicar quais trechos das mensagens poderiam comprometer a segurança nacional.
As mensagens trocadas no grupo, batizado de Houthi PC small group, incluíam informações detalhadas sobre a missão, incluindo o momento exato da decolagem dos caças F-18 e o lançamento de mísseis Tomahawk.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, enviou um texto às 11h44 do dia 15 de março de 2025, confirmando que as condições climáticas eram favoráveis e que o Comando Central dos EUA (CENTCOM) havia autorizado o ataque. O cronograma detalhado enviado por Hegseth indicava que o primeiro bombardeio aconteceria às 14h15, horário de Washington.

Na sequência, o vice-presidente JD Vance responde: "Farei uma oração pela vitória". Em seguida, Michael Waltz confirma a morte de um alvo. Segundo Waltz, ele estaria entrando no prédio da namorada, que foi destruído no bombardeio.
A informação é celebrada pelos participantes do grupo, que parabenizam Pete Hegseth.

Segundo especialistas ouvidos pela The Atlantic, se essas mensagens tivessem sido interceptadas por grupos hostis, os ataques poderiam ter sido comprometidos, colocando em risco a vida de militares americanos. Desde a revelação da falha, o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Michael Waltz, assumiu a responsabilidade pelo incidente.
“Assumo total responsabilidade. Eu construí o grupo. Meu trabalho é garantir que tudo esteja coordenado. É embaraçoso, sim. Vamos chegar ao fundo disso. Temos as melhores mentes técnicas analisando como isso aconteceu”, disse Waltz à Fox News.