Tribunal de Portugal pede revisão em lei que endurece regras para obter nacionalidade
Nova Lei da Nacionalidade volta ao Parlamento após Corte identificar violações a princípios como igualdade e proporcionalidade
Antonio Souza
16/12/2025, 01:03 • Atualizado em 16/12/2025, 01:03
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O Tribunal Constitucional de Portugal enviou ao Parlamento, nesta segunda-feira (15), um pedido de fiscalização da Lei da Nacionalidade, após identificar pontos considerados inconstitucionais no texto aprovado em outubro.
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A proposta, que endurece as regras para obtenção da cidadania portuguesa, será novamente analisada pelos deputados antes de eventual sanção presidencial.
A lei aprovada pelo Parlamento português torna mais rígido o acesso à cidadania. Pelo texto, cidadãos da União Europeia e de países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), como o Brasil, passam a ter que comprovar ao menos sete anos de residência legal em Portugal para solicitar a nacionalidade.
Antes, o prazo exigido era de cinco anos. Para estrangeiros de outros países, o tempo mínimo de residência sobe de seis para dez anos.
Na prática, o governo português busca restringir a concessão da cidadania a imigrantes com longa permanência e vínculos sólidos com o país.
Por que o Tribunal considerou a lei inconstitucional?
O Tribunal Constitucional apontou problemas principalmente em dispositivos que preveem a perda da nacionalidade como pena acessória em caso de condenação criminal.
Segundo os juízes, a lei viola o princípio da igualdade, ao aplicar a perda da cidadania apenas a cidadãos naturalizados e somente quando o crime ocorre nos dez primeiros anos após a aquisição da nacionalidade.
Para o Tribunal, não há fundamento material suficiente para diferenciar cidadãos com base na forma de obtenção da nacionalidade ou no tempo decorrido desde a naturalização.
Crimes e punições consideradas desproporcionais
A Corte também avaliou o rol de crimes que poderiam levar à perda da nacionalidade e concluiu que, em diversos casos, a punição é excessiva e desproporcional.
Segundo o acórdão, algumas infrações não indicam ruptura significativa do vínculo do cidadão com o Estado português, tornando a sanção arbitrária e em desacordo com os princípios da proporcionalidade e da necessidade penal.
Mesmo nos crimes considerados mais graves, o Tribunal entendeu que o legislador foi além do necessário ao permitir a perda da cidadania com base apenas na condenação a penas de prisão iguais ou superiores a quatro anos, sem avaliar as circunstâncias concretas do caso.
Falta de individualização da pena
Outro ponto criticado foi o caráter automático e fixo da pena de perda da nacionalidade, sem margem para adequação conforme fatores como grau de culpa ou necessidade de prevenção.
Para o Tribunal, essa rigidez viola princípios constitucionais como culpa, igualdade e proporcionalidade.
Brasileiros são maioria em Portugal
Os brasileiros formam hoje o maior grupo estrangeiro residente em Portuga. Em 2023, cerca de 513 mil viviam em território português, segundo o Ministério das Relações Exteriores.
Organizações de imigrantes alertam que a mudança pode dificultar a integração e o acesso à cidadania de pessoas que já vivem legalmente no país há vários anos.
Tribunal de Portugal pede revisão em lei que endurece regras para obter nacionalidadeNova Lei da Nacionalidade volta ao Parlamento após Corte identificar violações a princípios como igualdade e proporcionalidadeMundo2025-12-16T01:03:49.876ZO Tribunal Constitucional de Portugal enviou ao Parlamento, nesta segunda-feira (15), um pedido de fiscalização da , após identificar pontos considerados inconstitucionais no . A proposta, que endurece as regras para obtenção da cidadania portuguesa, será novamente analisada pelos deputados antes de eventual sanção presidencial. + A lei aprovada pelo Parlamento português torna mais rígido o acesso à cidadania. Pelo texto, cidadãos da União Europeia e de países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), como o Brasil, passam a ter que comprovar ao menos sete anos de residência legal em Portugal para solicitar a nacionalidade. Antes, o prazo exigido era de cinco anos. Para estrangeiros de outros países, o tempo mínimo de residência sobe de seis para dez anos. Na prática, o governo português busca restringir a concessão da cidadania a imigrantes com longa permanência e vínculos sólidos com o país. Por que o Tribunal considerou a lei inconstitucional? O Tribunal Constitucional apontou problemas principalmente em dispositivos que preveem a perda da nacionalidade como pena acessória em caso de condenação criminal. Segundo os juízes, a lei viola o princípio da igualdade, ao aplicar a perda da cidadania apenas a cidadãos naturalizados e somente quando o crime ocorre nos dez primeiros anos após a aquisição da nacionalidade. + Para o Tribunal, não há fundamento material suficiente para diferenciar cidadãos com base na forma de obtenção da nacionalidade ou no tempo decorrido desde a naturalização. Crimes e punições consideradas desproporcionais A Corte também avaliou o rol de crimes que poderiam levar à perda da nacionalidade e concluiu que, em diversos casos, a punição é excessiva e desproporcional. Segundo o acórdão, algumas infrações não indicam ruptura significativa do vínculo do cidadão com o Estado português, tornando a sanção arbitrária e em desacordo com os princípios da proporcionalidade e da necessidade penal. Mesmo nos crimes considerados mais graves, o Tribunal entendeu que o legislador foi além do necessário ao permitir a perda da cidadania com base apenas na condenação a penas de prisão iguais ou superiores a quatro anos, sem avaliar as circunstâncias concretas do caso. Falta de individualização da pena Outro ponto criticado foi o caráter automático e fixo da pena de perda da nacionalidade, sem margem para adequação conforme fatores como grau de culpa ou necessidade de prevenção. Para o Tribunal, essa rigidez viola princípios constitucionais como culpa, igualdade e proporcionalidade. Brasileiros são maioria em Portugal Os brasileiros formam hoje o maior grupo estrangeiro residente em Portuga. Em 2023, cerca de 513 mil viviam em território português, segundo o Ministério das Relações Exteriores. Organizações de imigrantes alertam que a mudança pode dificultar a integração e o acesso à cidadania de pessoas que já vivem legalmente no país há vários anos. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/tribunal-de-portugal-pede-revisao-em-lei-que-endurece-regras-para-obter-nacionalidade
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