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Israel e Irã trocam ataques no 7º dia de conflito enquanto EUA prometem ampliar ofensiva

Troca de hostilidades vem afetando países no Golfo Pérsico, que interceptam mísseis e drones em seus espaços aéreos

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Camila Stucaluc
06/03/2026, 06:34 • Atualizado em 06/03/2026, 06:34
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Fumaça após ataque de Israel e Estados Unidos a Teerã, capital do Irã | Reprodução/Reuters

Fumaça após ataque de Israel e Estados Unidos a Teerã, capital do Irã | Reprodução/Reuters

O conflito no Oriente Médio entrou no 7º dia com novos ataques entre Israel e Irã. Durante a madrugada desta sexta-feira (6) também houve interceptações no Golfo Pérsico, com países da região relatando ações de defesa aérea contra mísseis e drones.

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Em Israel, um ataque com dezenas de drones iranianos foi lançado contra Tel Aviv e Jerusalém, onde moradores foram orientados a se abrigarem em bunkers. Mísseis também foram lançados contra bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio, fazendo Catar, Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos acionarem os sistemas de defesa aérea.

Em retaliação, Israel lançou um amplo ataque contra a capital iraniana, Teerã, mirando alvos do atual regime. Ao mesmo tempo, o exército atacou os subúrbios do sul de Beirute, no Líbano, em operação contra o grupo Hezbollah, aliado do Irã. Além dos ataques aéreos, que destruíram a sede do Conselho Executivo e armazéns de drones, as tropas avançam por terra.

Enquanto isso, os Estados Unidos seguem atuando na costa do Irã, em uma missão focada em afundar navios iranianos. Segundo o Comando Central, desta vez, um porta-aviões, do tamanho aproximado de um porta-aviões da Segunda Guerra Mundial, foi atingido por um ataque aéreo e ficou em chamas. Ao todo, mais de 20 embarcações iranianas já foram destruídas.

A troca de hostilidades acontece em meio a novas ameaças. Na noite de quinta-feira (5), o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que “a quantidade de poder de fogo sobre o Irã está prestes a aumentar drasticamente”, citando a decisão do Reino Unido de permitir o uso de bases militares na região por Washington para ataques defensivos contra Teerã.

Uma escalada também foi prometida pelo chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (FDI, na sigla em inglês), Eyal Zamir, que mencionou “novas surpresas” para derrubar o regime iraniano.

“Após realizar com sucesso a fase de ataque surpresa, durante a qual estabelecemos nossa superioridade aérea e neutralizamos a rede de mísseis balísticos, passamos agora à fase seguinte da operação. Nesta fase, continuaremos desmantelando o regime iraniano e sua capacidade militar. Ainda temos outras surpresas reservadas”, disse Zamir, citando, ainda, o reforço das operações no Líbano.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (28). O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Na última semana, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

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