Itamaraty mantém diálogo aberto com Oriente Médio em meio à guerra
Estratégia abre caminho para resgate de brasileiros caso necessário; Mauro Vieira já falou com Jordânia, Emirados, Kuwait, Bahrein, Catar, Arábia Saudita e Omã


Victor Schneider
Desde que os bombardeios conjuntos dos Estados Unidos e de Israel sacudiram o Irã, mataram o aiatolá Ali Khamenei e deflagraram um conflito ampliado no Oriente Médio, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tem se movimentado para manter em aberto o contato com países árabes – um mercado que somou US$ 2 bilhões em exportações brasileiras em janeiro, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Comércio.
De domingo (1º) até esta quinta-feira (5), a chancelaria brasileira já conversou por telefone com Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita, Catar e Omã, todos países com bases militares americanas e que foram alvos, em maior ou menor escala, de retaliações iranianas como forma de desestabilizar alianças dos EUA no entorno.
O Itamaraty adota o discurso 'pro forma' de lamentar a escalada da crise, prestar condolências pelos danos materiais e humanos causados a esses países e desejar uma solução pacífica para o conflito.
A intenção principal, na realidade, é manter o contato em aberto para um eventual resgate de brasileiros que queiram deixar a região, além de neutralizar impressões de que o Brasil tem lado na guerra.
Prova disso é que, no caso do chanceler Abdullah bin Zayed Al Nahyan, dos Emirados Árabes, foram duas ligações, pelo agravante de o país ser o destino principal do fluxo de brasileiros no Oriente Médio via aeroporto de Dubai, o mais movimentado do mundo.
Dados do Ministério das Relações Exteriores do Brasil contabilizam aproximadamente 50 mil brasileiros nas áreas diretamente atingidas pela guerra, com o Líbano (22 mil), Israel (14 mil) e Emirados Árabes (10,3 mil) concentrando as maiores comunidades.
No Irã, conforme afirmou o embaixador brasileiro André Veras ao SBT News, parte dos brasileiros já deixou o país de carro pela fronteira com a Turquia.
Com o trânsito pelo espaço aéreo da região restrito, há um efeito cascata sobre a aviação global: a consultoria Cirium calcula mais de 23 mil voos cancelados desde sábado dos 36 mil previstos. A recomendação do Itamaraty é para que os brasileiros não viagem para a região até segunda ordem.









