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Itamaraty mantém diálogo aberto com Oriente Médio em meio à guerra

Estratégia abre caminho para resgate brasileiros caso seja preciso; Mauro Vieira já falou com Jordânia, Emirados, Kuwait, Bahrein, Catar, Arábia Saudita e Omã

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Mauro Vieira com o ministro do Comércio Exterior dos Emirados Árabes, Thani bin Ahmed Al Zeyoudi, em novembro de 2024 | Divulgação/MRE
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Desde que os bombardeios conjuntos dos Estados Unidos e de Israel sacudiram o Irã, mataram o aiatolá Ali Khamenei e deflagraram um conflito ampliado no Oriente Médio, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tem se movimentado para manter em aberto o contato com países árabes – um mercado que somou US$ 2 bilhões em exportações brasileiras em janeiro, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Comércio.

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De domingo (1º) até esta quinta-feira (5), a chancelaria brasileira conversou por telefone com Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita, Catar e Omã, todos países com bases militares americanas e que foram alvos, em maior ou menor escala, de retaliações iranianas como forma de desestabilizar alianças dos EUA no entorno.

O Itamaraty adota o discurso 'pro forma' de lamentar a escalada da crise, prestar condolências pelos danos materiais e humanos causados a esses países, e desejar uma solução pacífica para o conflito.

A intenção principal, na realidade, é manter o contato em aberto para um eventual resgate de brasileiros que queiram deixar a região, além de neutralizar impressões de que o Brasil tem lado na guerra.

Prova disso é que, no caso do chanceler Abdullah bin Zayed Al Nahyan, dos Emirados Árabes, foram duas ligações, pelo agravante de o país ser o destino principal do fluxo de brasileiros no Oriente Médio via aeroporto de Dubai.

Dados do Ministério das Relações Exteriores do Brasil contabilizam aproximadamente 50 mil brasileiros nas áreas diretamente atingidas pela guerra, com o Líbano (22 mil), Israel (14 mil) e Emirados Árabes (10.365) concentrando as maiores comunidades.

No Irã, conforme afirmou o embaixador brasileiro André Veras ao SBT News, parte dos brasileiros já deixou o país de carro pela fronteira com a Turquia.

Com o trânsito pelo espaço aéreo da região restrito, há um efeito cascata sobre a aviação global: a consultoria Cirium calcula mais de 23 mil voos cancelados desde sábado dos 36 mil previstos. A recomendação do Itamaraty é para que os brasileiros não viagem para a região até segunda ordem.

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