Guerra no Oriente Médio: EUA “apenas começaram a lutar”, diz secretário de Defesa de Trump
Secretário de Defesa, Peter Hegseth, afirma que operações militares dos Estados Unidos continuarão “pelo tempo que for necessário”

Antonio Souza
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quinta-feira (5) que os Estados Unidos “apenas começaram a lutar” na ofensiva militar contra o Irã no Oriente Médio.
A declaração foi feita durante discurso no Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), responsável por supervisionar as operações militares americanas na região.
“Ainda estamos apenas começando a lutar, e a lutar de forma decisiva”, disse o secretário a jornalistas. “O Irã espera que não consigamos sustentar isso, o que é um erro de cálculo muito grave", diz Hegseth
Segundo Hegseth, as forças americanas continuarão conduzindo ações militares contra o Irã pelo tempo que for necessário. Na quarta-feira (4), ele já havia sinalizado que o conflito pode se estender, podendo durar até oito semanas.
O prazo é o mais longo mencionado até agora pelo governo do presidente Donald Trump.
"Nossas munições estão abastecidas e nossa determinação é inabalável. O Irã espera que não consigamos sustentar isso, o que é um erro de cálculo muito grave, completou Hegseth.
Novos ataques
O conflito na região entrou no sexto dia nesta quinta-feira (5), com novos ataques entre Estados Unidos, Israel e Irã. O dia começou com ofensivas iranianas contra o território israelense.
Segundo as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), vários mísseis foram lançados contra Tel Aviv e Jerusalém. Ataques iranianos também foram registrados no Iraque, contra grupos curdos considerados opositores de Teerã.
Na quarta-feira, a Marinha dos Estados Unidos afundou, por meio de um torpedo disparado por um submarino, um navio de guerra iraniano que navegava próximo à costa sul do Sri Lanka, matando ao menos 87 tripulantes. Já nesta quinta-feira, novos ataques com mísseis atingiram estoques de armas, drones e infraestruturas ligadas ao governo iraniano.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (28). O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Na última semana, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".









