Guerra no Irã impulsiona dólar e reduz apostas em corte de juros nos EUA
Escalada geopolítica eleva preço do petróleo, fortalece o dólar e altera expectativas de política monetária


Exame.com
A guerra no Irã continua mexendo com os mercados globais e, desta vez, colocou o dólar no centro das atenções dos investidores, em meio à disparada do preço do petróleo e às dúvidas quanto aos juros e à inflação.
Isso porque, com o petróleo ultrapassando a marca de US$ 100 por barril e as dificuldades de resolução do conflito, a moeda dos Estados Unidos (EUA) caminha para sua primeira alta semanal em um mês.
O índice do dólar (DXY) subiu cerca de 0,4% na semana, para 98,60 pontos, segundo dados divulgados pela Reuters.
A apreensão de dois navios no Estreito de Ormuz por Teerã foi um dos gatilhos que elevou o risco sobre a escalada das tensões, visto que a rota é responsável pelo escoamento de 20% do petróleo para o mundo.
Além disso, a ausência de avanços nas negociações de paz e a indefinição do cessar-fogo por parte do presidente dos EUA, Donald Trump, aumentaram tanto a instabilidade quanto a busca por ativos considerados seguros.
Busca por proteção
O movimento de alta do DXY representa uma reversão parcial do que havia ocorrido no início de abril, quando sinais de possível acordo de paz levaram investidores a migrar para ativos mais arriscados.
Chefe de estratégia cambial do G10 da CIBC Capital Markets, Jeremy Stretch afirmou, em entrevista à Reuters, que o cenário atual, que parece estar longe de chegar ao fim, favorece a manutenção das posições.
"Por enquanto, pelo menos, a sensação é de que o caminho de menor resistência é apenas manter as posições em dólar, aumentando ligeiramente, desfazendo assim o prêmio de paz que havia sido injetado no mercado", esclareceu.
Impactos diversos
Enquanto o dólar se fortalece, outras moedas mostram desempenho mais fraco, de acordo com informações compiladas pela agência.
O euro foi negociado a US$ 1,17, próximo das mínimas desde 13 de abril, e deve encerrar a semana com queda de 0,5%, interrompendo uma sequência de quatro semanas de ganhos.
Já a libra esterlina recuou 0,1%, sendo cotada a US$ 1,3484, mesmo diante de dados que indicam impacto inicial da crise energética sobre o consumo no Reino Unido.
No Japão, o iene foi negociado a 159,56 por dólar, aproximando-se do nível de 160, que costuma ser visto como sensível para possíveis intervenções das autoridades.
Juros e crédito
O avanço do petróleo também começou a alterar as apostas em relação à política monetária dos EUA. Os mercados atribuem apenas 25% de probabilidade a um corte de juros pelo Federal Reserve neste ano.
Ao mesmo tempo, investidores já precificam dois aumentos de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) em 2026, indicando uma divergência relevante entre as principais economias, explicaram fontes à Reuters.
A instabilidade também levanta preocupações sobre acesso a crédito, tendo em vista que a cautela em relação ao financiamento global está cada vez maior, especialmente em países mais expostos aos choques da guerra.
Até ganhou destaque a possibilidade de um acordo de swap cambial entre EUA e Emirados Árabes Unidos, após discussões entre autoridades monetárias dos dois países, de acordo com o Wall Street Journal.









