Casos de burnout disparam no Brasil e acendem alerta para saúde mental no trabalho; veja como identificar os sinais
Afastamentos por transtornos mentais aumentam e especialista alerta para sintomas silenciosos no dia a dia


Camilly Rosaboni
O estresse no trabalho já faz parte da rotina de muitos profissionais. Ainda assim, o esgotamento mental não deve ser naturalizado e reconhecer seus sinais é essencial para evitar consequências mais graves.
Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, segundo o Ministério da Previdência Social — um aumento de 15,66% em relação a 2024, quando foram concedidos 472.328 benefícios.
Entre os motivos de afastamento, a síndrome de burnout apresentou um crescimento expressivo. Os registros praticamente triplicaram, passando de 1.760, em 2023, para 6.985, em 2025, de acordo com dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) analisados pelo Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT).
Esse cenário também impacta diretamente as empresas, com aumento do absenteísmo, presenteísmo, rotatividade e até da judicialização. Assim, a saúde mental deixa de ser apenas uma questão individual e passa a ser um desafio estratégico e econômico.
A situação se agrava porque casos de burnout, ansiedade e esgotamento emocional costumam ser silenciosos e, muitas vezes, passam despercebidos no dia a dia. Segundo o psiquiatra Daniel Sócrates, doutor pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o problema se desenvolve aos poucos, escondido em uma rotina que valoriza produtividade constante e alta performance.
“Hoje vemos pessoas funcionando no limite por longos períodos, sem perceber que já estão em sofrimento psíquico. O corpo e a mente dão sinais, mas eles são frequentemente ignorados ou normalizados”, explica. Por isso, é importante ficar atento a esses sinais antes que o quadro se agrave.
Como identificar sinais de burnout
O esgotamento mental raramente surge de forma repentina. Antes disso, há sinais importantes de alerta:
- Cansaço constante, mesmo após descanso;
- Dificuldade de concentração e lapsos de memória;
- Irritabilidade e impaciência frequente;
- Sensação de sobrecarga emocional;
- Insônia ou sono não reparador;
- Queda de produtividade;
- Falta de motivação para tarefas simples.
“Esses sintomas são frequentemente confundidos com ‘fase difícil’ ou ‘pressão do trabalho’, mas quando se tornam persistentes, já indicam um processo de adoecimento”, alerta o psiquiatra.
De acordo com o psiquiatra, mais do que o volume de tarefas, o que tem levado ao adoecimento é a carga emocional constante. Pressão, conflitos, decisões difíceis e a necessidade de manter controle o tempo todo estão entre os principais pontos.
Com isso, o profissional exausto passa a decidir pior, reagir mais e escutar menos, o que afeta diretamente a qualidade da liderança e das relações no ambiente de trabalho. “O que mais adoece hoje não é apenas o excesso de trabalho, mas o excesso de tensão emocional que ninguém mede”, conclui.
*Sob supervisão









