Janela partidária abre período de reorganização política no Brasil; entenda
Mecanismo que permite mudança de partido sem perda de mandato deve mobilizar políticos que pretendem disputar novos cargos nas eleições 2026


Camila Stucaluc
Começou na quinta-feira (5) o período de janela partidária, fase prevista na legislação eleitoral brasileira que permite a parlamentares eleitos pelo sistema proporcional trocarem de partido sem risco de perda do mandato. O período representa um momento importante de reorganização do sistema político antes das eleições de 2026.
No Brasil, vigora o princípio da fidelidade partidária. Isso significa que, em regra, o mandato conquistado em eleições proporcionais como o de deputados estaduais e deputados federais pertence ao partido, e não ao parlamentar. Assim, quando um político decide deixar a legenda pela qual foi eleito durante o mandato, ele pode perder a cadeira.
É justamente para equilibrar esse sistema que existe a chamada janela partidária. Durante aproximadamente 30 dias, a legislação autoriza que esses parlamentares mudem de partido sem que isso configure infidelidade partidária.
Para o cientista político Elias Tavares, o mecanismo funciona como uma espécie de “janela de transferências” da política, semelhante ao período em que clubes de futebol negociam a troca de jogadores entre equipes.
“Assim como no futebol existe um momento específico para a transferência de atletas entre clubes, na política também há um período em que parlamentares podem mudar de partido sem sofrer punição. É uma forma de organizar o sistema e dar previsibilidade às disputas eleitorais”, explica.
Ele acrescenta que o período provoca intensas movimentações nos bastidores da política, já que partidos buscam reforçar suas bancadas e atrair nomes competitivos, enquanto parlamentares analisam com cuidado qual legenda oferece melhores condições eleitorais. “Muitos fatores entram nessa conta: o tamanho do partido, a formação de chapas, a força regional da legenda e até a possibilidade real de reeleição. Quem percebe que terá dificuldades onde está tende a procurar um partido com mais viabilidade eleitoral”, afirma.
Com o prazo encerrando em 3 de abril, a expectativa é de que as próximas semanas sejam marcadas por negociações intensas e movimentações partidárias em todo o país, especialmente entre deputados federais que disputarão a reeleição este ano. Em 2022, por exemplo, 120 dos 513 deputados mudaram de partido, sendo a maioria para o PL.
Executivo
A chamada ‘dança das cadeiras’ não acontece apenas no Legislativo. Os últimos meses também têm sido de mudança no governo Lula, devido ao prazo de desincompatibilização — que obriga autoridades que pretendem concorrer nas eleições a se afastarem, de forma temporária ou definitiva, do cargo ou função que ocupam seis meses antes do pleito.
Na quinta-feira (5), o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que deixará o comando da pasta em 4 de abril. Apesar do anúncio, ainda não está definido se Alckmin integrará a chapa à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026.
Outro que anunciou a saída do governo federal foi o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Como mostrou o SBT News, a expectativa é que Haddad seja candidato ao governo de São Paulo, em chapa contra Tarcísio de Freitas (Republicanos). A região é considerada fundamental na disputa presidencial, por ser o maior estado da federação, com 34,4 milhões de eleitores.
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também deixará a pasta, para concorrer a uma vaga no Senado pelo Paraná. O mesmo será feito pelo ministro da Educação, Camilo Santana, que, além de tentar retornar ao Senado, irá reforçar as campanhas de Lula e do atual governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT).
Outra pasta que terá mudanças é a Casa Civil, chefiada por Rui Costa. O ministro confirmou que passará o bastão para a secretária-executiva da pasta, Miriam Belchior, cuja trajetória é consolidada na administração pública federal. A mudança ocorrerá no fim de março, quando Costa deixará o governo para disputar uma vaga no Senado pela Bahia.









