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Bolsonaro, Cid e deputado do Rio são indiciados pela PF por fraudes em registros de vacina contra a covid-19

Polícia Federal conclui inquérito da Operação Venire, que apontou crimes em esquema de falsa vacinação, com ajuda de militares e políticos aliados do ex-presidente

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Ricardo Brandt
19/03/2024, 12:47 • Atualizado em 19/03/2024, 13:06
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Bolsonaro, Cid e deputado do Rio são indiciados pela PF por fraudes em registros de vacina contra a covid-19

A Polícia Federal (PF) indiciou Jair Bolsonaro (PL), o tenente-coronel Mauro Cid, o deputado Gutemberg Reis (MDB-RJ) e outros aliados do ex-presidente por fraudes em certificados de vacinação contra a covid-19. O inquérito da Operação Venire, deflagrada em maio de 2023, é o primeiro das investigações no âmbito da suposta tentativa de golpe de Estado que têm o ex-presidente como alvo a ser encerrado.

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Agora, a Procuradoria-Geral da República (PGR) analisa se há elementos para apresentar denúncia à Justiça.

Foi na Venire que o ex-ajudante de ordem de Bolsonaro acabou preso. Cid fechou acordo com a PF em setembro e confessou os crimes. São alvos do inquérito, também, Sergio Rocha Cordeiro, que foi assessor especial do ex-presidente, o coronel Marcelo Costa Câmara, também ex-assessor, Max Guilherme Machado de Moura, Luis Marcos dos Reis, que era servidor comissionado no Ministério do Turismo e é irmão do deputado Gutemberg Reis, e Eduardo Crespo Alves, militar da ativa. Ao todo, são 17 indiciamentos.

Todos teriam envolvimento no lançamento de registros falsos de vacinação contra a covid-19 na carteira de Bolsonaro.

A PF iniciou apurações após análise de dados do aparelho de telefone celular de Cid, que era investigado por vazamento de informações sigilosas de um inquérito policial para Bolsonaro atacar as urnas eletrônicas e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2021.

Cid teria acessado políticos e outros militares para fazer o registro no sistema do Ministério da Saúde de uma vacinação contra a covid-19 de sua mulher, Gabriela Santiago Ribeiro Cid, que viajaria aos Estados Unidos e precisava emitir o certificado. O documento atesta oficialmente que a pessoa está em dia com as vacinas obrigatórias, na pandemia, e era exigido na maioria das nações.

O esquema passava por lançamento de vacinação em cidade de Goiás e registro no sistema federal via prefeitura de Duque de Caxias (RJ), reduto de aliados de Bolsonaro. O secretário de Governo da prefeitura, João Carlos Brecha, que ocupa a pasta desde a gestão do ex-prefeito Washington Reis (MDB), inseria falsos comprovantes de vacinação para emissão posterior dos certificados de vacinação, a serem apresentados nos aeroportos. Brecha também foi preso na Operação Venire.

Bolsonaro caiu no radar da PF depois de a Controladoria Geral da União (CGU) comunicar supostos registros de vacinação vinculados a Bolsonaro. Ofício de 2023 do órgão — já no governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — "encaminhou notícia de fato relatando a possível ocorrência de inserção de dados falsos no sistema de informação do Ministério da Saúde, especificamente" sobre o ex-presidente, conforme destaca trecho abaixo.

A PF também destacou trecho das apurações da CGU, que "colheu elementos informativos que indicam que o ex-presidente Jair Bolsonaro não esteve no município de Duque de Caxias/RJ no dia 13/08/2022, data em que teria tomado a 1ª dose da vacina da fabricante Pfizer, permanecendo na cidade do Rio de Janeiro até seu retorno para Brasília/DF às 21h25min".

Bolsonaro negou as fraudes em 2023. Na ocasião, ele foi alvo de buscas em sua residência. O ex-presidente disse não ter tomado as vacinas e que nunca foi pedido a ele o certificado de vacinação para entrar no país. Negou também ter adulterado o cartão de vacina.

"Nunca me foi pedido cartão para entrar [nos EUA]", disse. "Não existe adulteração da minha parte, não tomei vacina", afirmou no dia das buscas da Venire em sua residência, em Brasília.

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