Alta do diesel impacta logística e governo aposta em medidas para conter preços
Medidas incluem redução de impostos e subsídio ao combustível após diesel subir cerca de 12% em uma semana

Flavia Travassos
O aumento do preço do diesel já impacta diretamente o setor de transporte e logística, que depende do combustível para manter as operações em todo o país.
Diante da escalada recente dos preços, o governo federal anunciou nesta quinta-feira (12) um pacote de medidas para tentar reduzir os efeitos da alta. A iniciativa inclui redução de impostos e criação de subsídio ao diesel.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o valor do litro do combustível subiu cerca de 12% em apenas uma semana.
A alta ocorre em meio a tensões internacionais e temor de desabastecimento global, fatores que pressionam os preços dos combustíveis.
Com conflitos e instabilidade em outras regiões do mundo, aumentou o receio de interrupções no fornecimento de energia, o que acaba refletindo no mercado brasileiro.
Redução pode não chegar ao consumidor, diz especialista
Segundo a economista do Insper, Juliana Inhasz, a redução anunciada pelo governo pode não ser percebida pelo consumidor final.
De acordo com ela, o governo anunciou uma redução de 32 centavos por litro, mas um reajuste recente da Petrobras elevou o preço do diesel em 38 centavos.
“Na prática, para o consumidor que vai ao posto abastecer o caminhão ou o utilitário para trabalhar ou fazer entregas, ele não vai sentir diferença nenhuma. É como se não tivesse acontecido nada”, afirma.
Logística sente impacto imediato
Empresas de transporte já sentem os efeitos da alta. Em uma transportadora na Grande São Paulo, cerca de 70% das cargas são transportadas por caminhões que percorrem rodovias em diferentes regiões do país.
Segundo o gerente de logística Fernando Balbino, o aumento repentino do diesel dificulta o repasse dos custos.
“Quando recebemos essa informação, o nosso custo aumenta porque precisamos pagar os nossos motoristas e agregados, que estão na ponta da cadeia. Do outro lado, também precisamos vender esse serviço. A grande discussão é: você consegue em uma semana repassar 20% ou 30% de aumento? Não conseguimos.”
Balbino explica que o preço do combustível depende de fatores externos, como o dólar e o mercado internacional de petróleo.
“Uma coisa é o desejo do governo de reduzir o preço. Outra coisa é a realidade do que está acontecendo. Hoje sabemos que todo combustível, principalmente o diesel, é precificado em dólar. E isso ninguém tem controle — nem o governo, nem a indústria.”
O pacote anunciado pelo governo busca amenizar os impactos da alta do diesel sobre transportadoras, caminhoneiros e setores produtivos que dependem do combustível.
Os detalhes completos das medidas e os valores envolvidos ainda não foram divulgados.









