Definição de palanques reduz vantagem de Flávio para Lula
Distância de senador para o petista nos estados se dissipou com montagem oficial das chapas estaduais

O senador Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Flávio Bolsonaro/Flickr - Ricardo Stuckert/PR
A montagem das chapas estaduais reduziu a vantagem que Flávio Bolsonaro (PL) tinha sobre Lula (PT), há alguns meses, na disputa por palanques de sustentação competitivos nos estados.
Levantamento do SBT News com base nas pesquisas mais recentes para os governos estaduais mostra que aliados dos dois presidenciáveis estão na liderança de nove unidades da Federação para cada lado.
O peso do eleitorado somado ainda é favorável a Flávio, 42% nos estados em que aliados lideram contra 33% de Lula, mas isso se deve em grande parte ao tamanho de São Paulo, em que Tarcísio de Freitas (Republicanos) é favorito à reeleição.
Em abril, quando parte expressiva das candidaturas e alianças estaduais ainda estava em negociação, Flávio aparecia em situação mais confortável: tinha perspectiva de aliados à frente ou dividindo a liderança em 14 estados contra 8 de Lula.
A fotografia de abril projetava a Flávio palanques competitivos em estados que somavam 58% dos eleitores do país, contra 29% para Lula.
A mudança se deve menos a um avanço generalizado de Lula e mais ao fato de que candidaturas e alianças previstas para apoiar Flávio não se consolidaram, por ora, em vários estados.
É o caso de dois dos principais colégios eleitorais do Nordeste.
Na Bahia, ACM Neto (União Brasil), que no início do ano era considerado apoio contabilizado para o campo de Flávio, principalmente pela perspectiva de aliança nacional da federação União Brasil-PP com o senador, adotou posição nacional independente, declarando apoio pessoal a Ronaldo Caiado, o presidenciável do PSD.
A federação União-PP também decidiu adotar nacionalmente a neutralidade e não apoiar Flávio formalmente.
ACM aparece empatado na liderança com o governador Jerônimo Rodrigues (PT), palanque de Lula, de acordo com a última pesquisa da Quaest. Apesar da não vinculação, ele tem em sua chapa ao Senado o ex-ministro de Jair Bolsonaro João Roma (PL).
No Ceará, a negociação política que aproximou Ciro Gomes (PSDB) do PL não se transformou em apoio presidencial a Flávio. Ciro lidera a disputa estadual com 43%, contra 33% do governador Elmano de Freitas (PT), de acordo com a última pesquisa da Quaest, mas é tratado como neutro no confronto presidencial.
Aliados de Lula também avançaram em alguns estados de abril até agora, como Amazonas e Rio Grande do Norte.
Os maiores trunfos dos dois presidenciáveis continuam nos dois maiores palanques estaduais claramente alinhados a eles.
Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, com 34,1 milhões de eleitores, Tarcísio de Freitas continua à frente da disputa pelo governo.
Só São Paulo representa mais da metade de todo o eleitorado somado dos estados em que aliados de Flávio lideram ou dividem a liderança.
Para Lula, o principal ativo é o Rio de Janeiro, terceiro maior eleitorado do país, com 12,9 milhões de eleitores. Eduardo Paes (PSD) lidera com ampla vantagem.
Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, continua sendo um terreno de desafio para os dois principais concorrentes ao Palácio do Planalto.
O líder das pesquisas é Cleitinho (Republicanos), que patrocinou idas e vindas em sua candidatura e que lá atrás havia dito que apoiava Flávio.
O filho de Jair Bolsonaro, porém, manteve como palanque o nome do empresário Flávio Roscoe (PL), até agora com desempenho inexpressivo nas pesquisas. Patrus Ananias (PT), nome de Lula, tem desempenho um pouco melhor.
Os outros postulantes à Presidência têm palanques nos estados bem mais restritos.
Ronaldo Caiado (PSD) é o que desponta nesse grupo, com sustentação clara e inequívoca em Goiás, estado que governou por dois mandatos e onde seu aliado lidera as pesquisas com folga.
O PSD lhe dá a condição de ter declaração de apoio formal de candidatos de outros estados, como Paraná e Rio Grande do Sul, mas sem garantia de compromisso de sustentação efetiva.
Candidatos do PSD estão na liderança das pesquisas no Maranhão e Pernambuco, por exemplo, mas evitam se associar a Caiado devido à alta popularidade de Lula nos dois estados.
Romeu Zema (Novo) tem como principal suporte Minas, com Mateus Simões (PSD), que foi seu vice no estado e que ainda não decolou nas pesquisas.
Nenhum candidato a governador do Missão de Renan Santos aparece com boa pontuação em pesquisas.
Palanques regionais são importantes para os candidatos à Presidência, mas, obviamente, não são os únicos fatores definitivos para sucesso ou fracasso eleitoral. Além disso, não é raro, por exemplo, eleitores de um estado votarem majoritariamente em um candidato a governador ao mesmo tempo em que apoiam um nome à Presidência de campo oposto ao do político regional.

























