Política

Bets são um grave problema de saúde pública, diz Padilha

Dados oficiais mostram que o vício em apostas geram um custo social de R$ 38,8 bilhões ao ano; governo Lula proibiu as bets

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Artur Maldaner
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha | Divulgação/Ministério da Saúde

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha | Divulgação/Ministério da Saúde

Problemas de saúde relacionados ao vício em apostas geram um custo social de R$ 38,8 bilhões por ano, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que caracterizou as bets como um “grave problema de saúde pública”.

O ministro participou do evento realizado nesta sexta-feira (25) em São Paulo, no qual o governo Lula anunciou a proibição das apostas de quota fixa no Brasil. Ele elogiou a medida, associando a ludopatia a maiores índices de suicídio.

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“Eu quero agradecer, em nome da saúde pública brasileira, presidente, que o senhor está tomando a medida corajosa de afastar esse mal do nosso país, da casa das pessoas, do celular dos brasileiros e brasileiras, e isso vai ajudar muito a saúde pública”, disse Padilha.

Segundo dados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, apresentados durante o anúncio, a mortalidade por suicídio é quinze vezes maior em pessoas com transtorno do jogo.

Além disso, apostadores que utilizam os meios eletrônicos são três vezes mais propícios a se viciar. Pessoas socioeconomicamente vulneráveis também são três vezes mais propícias a desenvolver o transtorno.

Ferramentas de cuidado

Dados oficiais mostraram que mais de 1,3 milhão de pessoas pediram a sua autoexclusão das bets. A ferramenta do Ministério da Fazenda bloqueia o uso do cidadão a todas as plataformas licenciadas junto ao governo, evitando maiores danos financeiros e psicológicos.

“Quase um terço desse número aconteceu durante a Copa do Mundo, pela profusão de publicidade, mensagem e estímulo para as apostas eletrônicas durante o evento”, afirmou Padilha.

De acordo com o ministro, 51% daqueles que pediram a autoexclusão relataram que o motivo principal foram os impactos diretos na sua saúde. Outros 35% afirmaram ter perdido o controle com as apostas.

Além disso, houve 170 mil acessos no aplicativo Meu SUS Digital pedindo atendimento por problemas relacionados ao vício em bets. Padilha destaca que mais de 60% dessas solicitações vêm de mulheres, que, apesar de terem índices menores de ludopatia, são as mais afetadas pelo problema de saúde pública.

“As mulheres são afetadas mesmo se elas não apostem. Se elas apostam, são afetadas pelo vício. Muitas vezes elas vão apostar para salvar a situação financeira de um filho, de um marido, de um pai, que entrou nessa situação e ela recorre a essa medida para tentar salvar a situação financeira da sua própria família. Se elas não apostam elas são afetadas. Seja pelo impacto no orçamento financeiro das famílias, seja pelo aumento do conflito familiar, seja pelo aumento da violência doméstica — diretamente relacionada à situação financeira, de ansiedade ou de depressão”, explica.

Fim das bets

O governo Lula anunciou um pacote de medidas que proíbe as apostas esportivas e os cassinos online no Brasil. Formalizado por meio de medida provisória a nove dias do primeiro turno das eleições, o texto tem efeito imediato no bloqueio de novas operações realizadas pelas plataformas licenciadas de bets.

O calendário de implementação define que os apostadores terão até 5 de outubro para resgatar saldos que tenham disponíveis nos sites. Os aplicativos sairão do ar a partir da terça-feira (6/10).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também pretende enviar um projeto de lei ao Congresso endurecendo as penas para operações ilegais de bets. O texto prevê penas de até seis anos para quem operar jogos de forma irregular.

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