Bens de Ciro Nogueira vão de zero a R$ 34 milhões em 20 anos
Senador declarou R$ 180 mil em dinheiro vivo à Justiça Eleitoral; patrimônio registrado no TSE era de R$ 23,3 milhões em 2018

Ciro Nogueira (Progressistas-PI) | Marcelo Camargo/Agência Brasil
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 34,6 milhões neste ano, duas décadas depois de ter registrado R$ 0 em bens em sua candidatura a deputado federal em 2006.
Os dados constam das declarações apresentadas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Em 2006, quando concorreu à Câmara, Ciro disse que tinha um patrimônio total de R$ 0.
A depender do que declarou à Justiça Eleitoral, o senador, que vai disputar a reeleição, montou toda a sua fortuna no período em que esteve no Congresso.
O SBT News procurou o senador e aguarda uma manifestação.
Atualmente o salário de senador é de R$ 44,6 mil ao mês.
Ciro é um dos principais políticos investigados no escândalo do Banco Master.
Em maio, o senador foi alvo de busca e apreensão na quinta fase da Operação Compliance Zero. Segundo o STF, a Polícia Federal encontrou indícios de que Ciro teria atuado em benefício de interesses privados do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master, em troca de vantagens indevidas.
Um dos episódios sob investigação é uma emenda apresentada por Ciro em 2024 para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). A mudança poderia beneficiar o Master, que captava grandes volumes de dinheiro oferecendo CDBs protegidos pelo fundo. A proposta não foi aprovada.
Ciro nega irregularidades.
Em 2010, na eleição em que conquistou pela primeira vez uma cadeira no Senado, Ciro informou ter R$ 1,97 milhão.
Entre os bens estavam uma casa de R$ 400 mil, participações em empresas, terreno, previdência privada, ações e um automóvel Mercedes.
Desde então ele tem declarado dinheiro mantido fora do sistema bancário. Em 2010, Ciro registrou R$ 210 mil em “numerário em caixa”.
O patrimônio deu um salto nas eleições seguintes. Em 2018, quando foi reeleito senador, chegou a R$ 23,3 milhões.
A maior fatia era uma participação de 94% na Ciro Nogueira Comércio de Motocicletas, avaliada em R$ 18,8 milhões. O senador também declarou 95% de uma aeronave Beech Aircraft B200, no valor de R$ 2,85 milhões.
Naquele ano, voltou a constar da declaração patrimônio mantido em espécie: R$ 180 mil em dinheiro vivo.
Agora, na declaração apresentada para as eleições de 2026, Ciro informa patrimônio de R$ 34.610.258,62, alta nominal de cerca de 48% em relação aos R$ 23,3 milhões declarados oito anos atrás.
Entre os principais valores estão R$ 15,09 milhões em lucros vinculados ao CNPJ da Ciro Nogueira Comércio de Motocicletas e R$ 13,48 milhões em uma aplicação Caixa Giro Renda Fixa.
A Ciro Nogueira Comércio de Motocicletas (CN Motos) aparece na investigação do caso Master por sua ligação com a CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa que a PF aponta como um dos veículos usados para movimentar recursos em benefício do senador.
Segundo as investigações, a CNLF, administrada formalmente por um irmão de Ciro, mantinha negócios com a BRGD, ligada à família de Daniel Vorcaro, e compartilhava endereço com empresas da família Nogueira, entre elas a própria CN Motos. A PF investiga se essa estrutura empresarial serviu para repasse de vantagens indevidas.
Há ainda R$ 2,29 milhões em PGBL, um apartamento financiado declarado por R$ 800 mil, R$ 760 mil em lucros de outra empresa e um carro 2023/2024 avaliado em R$ 568,9 mil.
Ciro também declarou novamente R$ 180 mil em “numerário”, exatamente o mesmo valor nominal informado em 2018.
O senador também declarou valores relativos a blindagem de veículos.

























