Após crise, Lula defende discutir mandato a ministros do STF
Ao SBT Brasil, candidato à reeleição defendeu reforma do Judiciário e mandato para ministros do STF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva em evento no Palácio do Planalto | Ricardo Stuckert/PR
O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendeu, nesta quinta-feira (10), uma reforma do Judiciário e a adoção de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Eu acho que a gente precisa discutir mandato para a Suprema Corte. Ninguém pode ficar 40 anos no mesmo cargo. Ninguém pode ter escritório trabalhando na Suprema Corte. Outro dia, eu disse, brincando: quem quiser ser da Suprema Corte não pode querer ser rico. Se quiser ser rico, vai trabalhar no seu escritório. Se quiser ser juiz, com método e respeito, vai para a Suprema Corte", afirmou.
A declaração foi dada durante entrevista ao SBT Brasil. A sabatina faz parte da série especial da emissora com os seis candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República.
Entenda a crise no STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa uma crise interna que começou após a divulgação de mensagens do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, com o ministro Alexandre de Moraes.
As conversas foram divulgadas quando o também ministro do STF André Mendonça retirou o sigilo do processo que continha informações extraídas do celular de Vorcaro, incluindo mensagens enviadas a um contato salvo como “Alexandre de Moraes Brasília”, atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes. Mendonça encaminhou o relatório à PGR e defendeu que o caso fosse analisado pelo plenário do Supremo.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também mencionado nas conversas, pediu a anulação do documento e questionou a forma como Mendonça conduziu o procedimento. No dia seguinte, veio a público que o próprio Mendonça havia se encontrado com Vorcaro em março de 2025. O ministro confirmou o encontro, realizado no Instituto Iter, entidade fundada por ele, mas defendeu sua isenção nas investigações.
A tensão aumentou quando Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Moraes acusou o colega de direcionar investigações por razões pessoais e políticas e de determinar a produção ilegal de provas contra ele. Mendonça, por sua vez, passou a questionar a atuação da Polícia Federal e afirmou ter sido monitorado ilegalmente pela corporação.
A crise chegou ao comando da PF em 8 de setembro, quando Mendonça determinou o afastamento cautelar do diretor-geral Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. No dia seguinte, Flávio Dino suspendeu os afastamentos e questionou a possibilidade de Mendonça decidir sozinho sobre documentos nos quais ele próprio era mencionado.
Diante das decisões conflitantes, o presidente do STF, Edson Fachin, interveio. Fachin suspendeu as determinações de Mendonça e Dino, manteve os dois dirigentes da PF nos cargos e convocou uma sessão extraordinária do plenário para 15 de setembro. Também determinou que procedimentos com potencial para investigar ministros do Supremo sejam previamente encaminhados à Presidência da Corte.















