Moraes pede a Fachin que Mendonça seja investigado
Em mais um capítulo da crise no STF, ministro do Supremo Tribunal Federal pediu inclusão do colega da Corte no inquérito das fake news
SBT News
Alexandre de Moraes e André Mendonça | Foto: Antonio Augusto/Gustavo Moreno/STF
Após ter conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro expostas publicamente, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes reagiu ao pedir, nesta quinta-feira (3), a inclusão do colega André Mendonça no inquérito das fake news. Moraes argumentou que Mendonça teria cometido três supostos crimes no âmbito da relatoria das operações Sem Desconto e Compliace Zero: improbidade administrativa, crime de responsabilidade e abuso de autoridade. A decisão é mais um capítulo na crise interna do Supremo e .
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
Na visão de Moraes, André Mendonça teria feito direcionamento das investigações por "motivos pessoais" e "políticos", "inclusive com a indicação prévia de medidas cautelares a serem apresentadas pela Polícia Federal".
Como argumento, Alexandre Moraes menciona supostos vazamentos à imprensa. "Em 08/08/2026, publicação da revista Piauí veiculou imagem extraída do aparelho celular do senador Weverton Rocha, que não integrava os autos. Imagem havia sido inserida em minuta de informação de Polícia Judiciária pela servidora e posteriormente retirada", pontua o ministro.
Além disso, Moraes cita a participação de Mendonça nos acordos de delação premiada que estão negociados em ambas as operações. "A Polícia Federal aponta que o ministro relator, André Mendonça, vem tendo efetiva 'participação nas tratativas de colaboração premiada' relacionadas tanto à 'Operação Sem Desconto', quanto na 'Operação Compliance Zero'", acrescenta.
No inquérito, Moraes afirma também que a Polícia Federal acusa o colega do Supremo de atuar como juiz e "investigador" ao mesmo tempo. "No mesmo relatório, a Polícia Federal aponta que o 'resultado prático do comando' realizado pelo Ministro André Mendonça 'é a atuação do julgador como investigador'", acrescenta no texto.
Além disso, Moraes diz que Mendonça teria determinado a produção de provas ilegais contra ele. "Não bastasse o direcionamento da investigação para determinado alvo que não estava sob sua competência jurisdicional, em total desrespeito aos artigos [...] regimento interno do STF, o relator, ministro André Mendonça determinou - de ofício - diligência investigatória policial para a produção ilegal de provas contra o ministro Alexandre de Moraes, com a agravante excepcional de ter determinado à Polícia Federal a realização da diligência sem ter assinado a decisão judicial e sem ter feito da comunicação pelas vias procedimentais legais, bem como ter subtraído o conhecimento da mesma da Procuradoria-Geral da República", complementa.
Por fim, Alexandre de Moraes também diz que os relatórios de inteligência da PF, supostamente direcionados por Mendonça, trazem citações aos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Nunes Marques, todos integrantes do Supremo.
Rota de Colisão
A cisão entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça ficaram escancaradas a partir de segunda-feira (31), quando os dois se reuniram e falaram sobre o avanço da investigação do caso Master. Ao SBT News, interlocutores dos ministros descreveram que foi uma conversa “tensa”, na qual os dois "bateram boca". Moraes teria afirmado a Mendonça que sabia que estava sendo investigado pelo magistrado. Mendonça, por sua vez, teria defendido a lisura da investigação que atinge o colega em cheio.
Um dia antes da conversa com Moraes, no domingo (30), André Mendonça também comunicou ao presidente da Corte, Edson Fachin, sobre o teor da decisão que determinaria a abertura do sigilo dos autos-- que reúnem troca de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e Moraes.
Entre fontes do Judiciário, o episódio está sendo visto como uma declaração de guerra de Mendonça contra Moraes, ainda mais após decisão do ministro relator de abrir o sigilo da apuração. Até então, o ministro Alexandre de Moraes vinha negando vinculação com o contato. Mendonça, entretanto, determinou à PF que identificasse o destinatário das mensagens, o que colocou o colega na mira das investigações.
*Texto em atualização
Moraes pede a Fachin que Mendonça seja investigadoEm mais um capítulo da crise no STF, ministro do Supremo Tribunal Federal pediu inclusão do colega da Corte no inquérito das fake newsPolítica2026-09-03T23:12:50.111ZApós ter conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro expostas publicamente, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes reagiu ao pedir, nesta quinta-feira (3), a inclusão do colega André Mendonça no inquérito das fake news. Moraes argumentou que Mendonça teria cometido três supostos crimes no âmbito da relatoria das operações Sem Desconto e Compliace Zero: improbidade administrativa, crime de responsabilidade e abuso de autoridade. A decisão é mais um capítulo na crise interna do Supremo e . Na visão de Moraes, André Mendonça teria feito direcionamento das investigações por "motivos pessoais" e "políticos", "inclusive com a indicação prévia de medidas cautelares a serem apresentadas pela Polícia Federal".
Como argumento, Alexandre Moraes menciona supostos vazamentos à imprensa. "Em 08/08/2026, publicação da revista Piauí veiculou imagem extraída do aparelho celular do senador Weverton Rocha, que não integrava os autos. Imagem havia sido inserida em minuta de informação de Polícia Judiciária pela servidora e posteriormente retirada", pontua o ministro. Além disso, Moraes cita a participação de Mendonça nos acordos de delação premiada que estão negociados em ambas as operações. "A Polícia Federal aponta que o ministro relator, André Mendonça, vem tendo efetiva 'participação nas tratativas de colaboração premiada' relacionadas tanto à 'Operação Sem Desconto', quanto na 'Operação Compliance Zero'", acrescenta. No inquérito, Moraes afirma também que a Polícia Federal acusa o colega do Supremo de atuar como juiz e "investigador" ao mesmo tempo. "No mesmo relatório, a Polícia Federal aponta que o 'resultado prático do comando' realizado pelo Ministro André Mendonça 'é a atuação do julgador como investigador'", acrescenta no texto. Além disso, Moraes diz que Mendonça teria determinado a produção de provas ilegais contra ele. "Não bastasse o direcionamento da investigação para determinado alvo que não estava sob sua competência jurisdicional, em total desrespeito aos artigos [...] regimento interno do STF, o relator, ministro André Mendonça determinou - de ofício - diligência investigatória policial para a produção ilegal de provas contra o ministro Alexandre de Moraes, com a agravante excepcional de ter determinado à Polícia Federal a realização da diligência sem ter assinado a decisão judicial e sem ter feito da comunicação pelas vias procedimentais legais, bem como ter subtraído o conhecimento da mesma da Procuradoria-Geral da República", complementa. Por fim, Alexandre de Moraes também diz que os relatórios de inteligência da PF, supostamente direcionados por Mendonça, trazem citações aos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Nunes Marques, todos integrantes do Supremo. Rota de Colisão A cisão entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça ficaram escancaradas a partir de segunda-feira (31), quando os dois se reuniram e falaram sobre o avanço da investigação do caso Master. Ao SBT News, interlocutores dos ministros descreveram que foi uma conversa “tensa”, na qual os dois "bateram boca". Moraes teria afirmado a Mendonça que sabia que estava sendo investigado pelo magistrado. Mendonça, por sua vez, teria defendido a lisura da investigação que atinge o colega em cheio. Um dia antes da conversa com Moraes, no domingo (30), André Mendonça também comunicou ao presidente da Corte, Edson Fachin, sobre o teor da decisão que determinaria a abertura do sigilo dos autos-- que reúnem troca de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e Moraes. Entre fontes do Judiciário, o episódio está sendo visto como uma declaração de guerra de Mendonça contra Moraes, ainda mais após decisão do ministro relator de abrir o sigilo da apuração. Até então, o ministro Alexandre de Moraes vinha negando vinculação com o contato. Mendonça, entretanto, determinou à PF que identificasse o destinatário das mensagens, o que colocou o colega na mira das investigações. *Texto em atualizaçãoSão PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/moraes-acusa-mendonca-em-inquerito-das-fake-news