Governo Lula prepara campanha publicitária para disputar "paternidade" de obras com governadores
Auxiliares do presidente reconhecem, porém, limites da estratégia para ganhar as eleições

No momento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara suas armas para disputar a reeleição, o governo federal lançará após o Carnaval uma campanha publicitária com o objetivo de disputar a paternidade de obras públicas com governadores da oposição. A ideia é segmentar os anúncios nas 27 unidades da federação, destacando entregas em cada Estado, e não no plano nacional.
Dentro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), comandada pelo publicitário Sidônio Palmeira, existe o diagnóstico de que governadores e prefeitos têm obtido dividendos político-eleitorais com projetos do Executivo federal. A nova estratégia de marketing foi revelada pelo secretário executivo da Secom, Thiago César dos Santos, durante um seminário sobre comunicação promovido pelo PT.
"Há apropriação indébita. Os governadores, muitos deles, muitos prefeitos, se apropriam das obras do governo federal. A gente vai fazer isso com campanhas estaduais que pormenorizam os temas. Porque não dão o crédito devido. Muitas obras do PAC estão fazendo fama de gente que não merece", declarou o braço-direito de Sidônio, que comandou a campanha de Lula em 2022. Neste ano, o marqueteiro tende a ficar no Palácio do Planalto até o fim do mandato e delegar a campanha à reeleição a alguém de sua estrita confiança.
Apesar da aposta em destacar feitos da atual gestão, o próprio secretário executivo da Secom reconhece os limites dessa estratégia. Dentro da Secom, já existe a percepção de que obras e redução nos índices de desemprego, por si só, não vão garantir a reeleição - como não tem assegurado melhoras nos índices de popularidade e de intenção de voto.
Na avaliação de Thiago dos Santos, a razão desse suposto descompasso é porque as políticas públicas agora são reconhecidas como de Estado, e não de governo. "As pessoas sentem que falta algo para além da política pública. Então, a gente precisava de um legado, construir um propósito. E o propósito está dentro da própria história do grupo político do qual a gente faz parte. O propósito está na campanha BBB [bancos, bets e bilionários], da luta contra os privilégios", destacou, em mais um spoiler sobre o tom a ser adotado por Lula em 2026.
Desde o início do ano, o presidente da República busca passar a imagem de antissistema, embora seja o próprio incumbente. A narrativa política será empunhada durante a campanha eleitoral ao destacar a reforma do Imposto de Renda com aumento da cobrança sobre os ricos, a taxação das bets e a Operação Carbono Oculto, que apura irregularidades no sistema financeiro.















































