Galípolo defende decisões do BC no caso Master e indica reforço em regras
O presidente do Banco Central pontuou que não existe nenhuma regra, no Brasil, que proíba que um banco possa captar recursos com taxas acima do CDI


Reuters
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, defendeu nesta segunda-feira (9) a atuação da autarquia no caso que culminou com a liquidação do Banco Master e apontou ser "muito importante" um reforço em regras sobre a gestão de ativos e passivos de instituições financeiras.
Em evento promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em São Paulo, Galípolo disse que o BC apresentou justificativas ao longo de todo o processo que envolveu a rejeição de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB) e da liquidação do Master.
O presidente do BC pontuou que não existe nenhuma regra, no Brasil, que proíba que um banco possa captar recursos com taxas acima do CDI — como era feito pelo Master. Ao mesmo tempo, afirmou que um problema de captação não deve levar necessariamente à insolvência, como ocorreu com o Master.
"Qualquer banco que consiga fazer o casamento bem feito de ativo e passivo, se ele passar por problemas para captar, isso deveria afetar o crescimento do banco, mas não a solvência", afirmou. "Quando você tem este tipo de problema, você pode sempre vender algum tipo de ativo para resolver aquele problema emergencial."
Ele disse que o BC tem um trabalho contínuo de aprimoramento de normas, mas destacou a importância específica de um reforço nas normas de gestão dos balanços de instituições financeiras.
"O aprendizado é: como a gente consegue criar mais 'enforcement'. Já tem medidas feitas e outras que estão no 'pipeline', é um trabalho contínuo... Ter um ‘enforcement’ maior nesse casamento entre passivo e ativo, acho que é muito importante", afirmou.
No evento, Galípolo disse ser grato pela proteção da autonomia do BC dada pela gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em meio ao processo envolvendo o caso do Master.
"Agradeço o ministro (da Fazenda, Fernando) Haddad, que tem dado declarações reiteradas de apoio", afirmou, acrescentando que Lula também tem sublinhado a necessidade de se garantir a autonomia do BC e da Polícia Federal (PF).
"O que a experiência de Lula traz para que a gente possa desenvolver nosso trabalho... (ela) traz tranquilidade", acrescentou.
Durante sua fala, Galípolo defendeu que o BC precisa "esclarecer para evitar que narrativas atrapalhem a percepção do público em geral".
Citando as dificuldades do Master em captar recursos a partir do fim de 2024, Galípolo fez um histórico do que levou à rejeição da venda do banco e à decretação de sua liquidação, já em novembro de 2025 — cerca de um ano depois.
Segundo Galípolo, o trabalho coordenado entre a autarquia e o Fundo Garantir de Crédito (FGC) permitiu que fossem bem fundamentadas as decisões de rejeitar a compra do banco pelo BRB e de liquidar o Master.
Os comentários de Galípolo surgem em meio à contestação do trabalho do Banco Central no caso, que para alguns críticos demorou a agir já que em 2024 o Master já enfrentava questionamentos sobre seu modelo de negócio.
As críticas têm recaído não apenas sobre a atual direção do BC, mas também sobre a atuação do banco sob o comando do ex-presidente da autarquia Roberto Campos Neto, que se manteve no cargo até o fim de 2024.
No auge de seus problemas, o Master chegou a oferecer CDBs com rentabilidade próxima dos 140% do CDI. Com a liquidação, FGC tem realizado o pagamento dos credores com até R$ 250 mil a receber, por CPF.
Galípolo ainda afirmou no evento que o trabalho coordenado entre a autarquia e o FGC também permitiu que fossem bem fundamentadas as decisões de rejeitar a compra do Banco Master pelo BRB e de liquidar o Master.
(Por Fabrício de Castro, em São Paulo, e Bernardo Caram, em Brasília)









