Iander Porcella
Iander Porcella

Coluna do Iander

Com extensão em Jornalismo Econômico, Iander Porcella atuou na Coluna do Estadão e na Agência Estado, cobrindo os bastidores da política em Brasília e o Congresso Nacional. Em São Paulo, especializou-se na cobertura de mercados financeiros globais.

Política

Aliado de Alcolumbre ignorou alertas na Amprev sobre risco de operações com Master

Conselheiros do fundo pregaram cautela e questionaram liquidez futura do banco de Daniel Vorcaro

Imagem da noticia Aliado de Alcolumbre ignorou alertas na Amprev sobre risco de operações com Master
Fictor anuncia compra do Banco Master com aporte imediato de R$ 3 bilhões | Divulgação
Iander Porcella
• Atualizado em

A Amapá Previdência (Amprev) ignorou alertas de conselheiros sobre o risco de comprar Letras Financeiras do Banco Master, em 2024, de acordo com atas do Comitê de Investimentos analisadas pelo SBT News. Nesta sexta-feira (6), o diretor-presidente do fundo, Jocildo Silva Lemos, foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) que investiga possíveis irregularidades na gestão de recursos da previdência estadual. Ele é aliado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O SBT News procurou a Amprev e a defesa de Lemos e aguarda manifestação.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Nas reuniões de 19 de julho e 30 de julho de 2024, após a primeira aprovação de compra de ativos do Master, os conselheiros Gláucio Bezerra e Alexandre Flávio Monteiro pregaram cautela, fizeram ponderações sobre possível risco reputacional da Amprev ao alocar recursos no Master e questionaram a liquidez futura do banco de Daniel Vorcaro. Mesmo assim, as operações foram aprovadas.

No dia 19 de julho, Bezerra e Monteiro citaram um caso, investigado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em que gerentes da Caixa Asset, gestora da Caixa Econômica Federal, foram demitidos depois de se posicionarem contra a compra de títulos do Master, por considerarem a operação muito arriscada.

“Após a primeira aplicação feita na reunião anterior, não sabe se todos tiveram conhecimento, mas foi surpreendido com os fatos que se sucederam em relação a Caixa Econômica Federal já com procedimentos no Tribunal de Contas da União e Ministério Público Federal com relação à deliberação que a Caixa Econômica tomou”, disse Monteiro.

“Nesse momento o comitê precisa ter cautela e ver o que realmente está acontecendo, por exemplo, designar uma comissão da diretoria financeira com um membro do comitê de investimentos para ir na instituição e fazer uma diligência extraordinária, consultar o jurídico da Amprev para averiguar, para que o comitê possa prevenir sobretudo um eventual risco de imagem da Amprev”, emendou.

Bezerra concordou com Monteiro e disse se preocupar com a exposição da Amprev ao Master: “pois entende que, a repercussão não é boa para os clientes e não sabe que efeitos futuros isso pode ter na captação líquida do Banco Master e eventualmente isso pode aumentar o risco, nesse sentido, pensa que antes de deliberar qualquer nova alocação nesse emissor, o comitê deve pedir essas explicações ao emissor, a Caixa Econômica e ao Tribunal de Contas da União, sobre o episódio que circulou na imprensa.”

Jocildo Silva Lemos, então, disse que “no mercado sempre há histórias” e que não poderia pedir manifestação à Caixa. “Sempre tem notícias envolvendo bancos, mas ver essas notícias como conversas pois não há nada concreto com procedimento”, declarou. Ele propôs a aprovação da proposta de investimento com a condição de haver uma diligência do comitê ao Banco Master com a diretoria da Amprev.

Em 30 de julho, surgiram novos questionamentos sobre a aplicação de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado em ativos do Master.

“Nesse momento está propenso a se posicionar pela suspensão desse investimento até que se faça diligência adicionais aos órgãos reguladores ao tribunal de contas da união, pois a informação que circulou foi de que esse emissor específico teve um problema envolvendo questão política e de governança junto à Caixa Econômica Federal”, disse Bezerra, segundo a ata.

“Por se preocupar pelo risco de imagem associado à posição da Amprev, ver a necessidade das diligências adicionais para que se possa afastar esse risco em potencial e assim seguir com a alocação, não está propondo que o comitê não aprove o investimento, mas que se faça as diligências para fundamentar a atuação do comitê”, emendou Bezerra.

O então conselheiro José Milton Gonçalves, que também foi alvo da PF nesta sexta-feira, argumentou que outras aquisições de Letras Financeiras do Banco Master haviam sido direcionadas ao plano previdenciário, mas que naquele momento a proposta era para o plano financeiro. Foi Gonçalves quem propôs a operação. Ao fim do encontro, a compra dos ativos do banco de Daniel Vorcaro foi aprovada por unanimidade.

Em menos de vinte dias, foram aprovadas e executadas na Amprev três aplicações em Letras Financeiras do Master, que somam cerca de R$ 400 milhões. As decisões ocorreram em reuniões do realizadas nos dias 12, 19 e 30 de julho de 2024.

A Amapá Previdência se manifestou em nota, afirmando que "se sente lesada pelos maus feitos do Banco Master e não abre mão de ser ressarcida". Leia:

"A Amprev se sente lesada pelos maus feitos do Banco Master e não abre mão de ser ressarcida. Por isso, já ingressou com todas as medidas judiciais cabíveis, conseguindo, inclusive, o bloqueio de pagamentos ao banco.

A instituição espera que a Justiça seja feita e que os contraventores do Banco Master sejam punidos.

A Amprev reforça que os investimentos realizados no Banco Master, validados pelo Banco Central, representam 4,7% do total da carteira da instituição.

Sob esta administração, o patrimônio da Amprev evoluiu 41% de 2023 para 2025, garantindo o pagamento aos aposentados e pensionistas até o ano de 2059."

Mais da coluna Coluna do Iander

Publicidade

Publicidade