Aliado de Alcolumbre ignorou alertas na Amprev sobre risco de operações com Master
Conselheiros do fundo pregaram cautela e questionaram liquidez futura do banco de Daniel Vorcaro

A Amapá Previdência (Amprev) ignorou alertas de conselheiros sobre o risco de comprar Letras Financeiras do Banco Master, em 2024, de acordo com atas do Comitê de Investimentos analisadas pelo SBT News. Nesta sexta-feira (6), o diretor-presidente do fundo, Jocildo Silva Lemos, foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) que investiga possíveis irregularidades na gestão de recursos da previdência estadual. Ele é aliado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O SBT News procurou a Amprev e a defesa de Lemos e aguarda manifestação.
Nas reuniões de 19 de julho e 30 de julho de 2024, após a primeira aprovação de compra de ativos do Master, os conselheiros Gláucio Bezerra e Alexandre Flávio Monteiro pregaram cautela, fizeram ponderações sobre possível risco reputacional da Amprev ao alocar recursos no Master e questionaram a liquidez futura do banco de Daniel Vorcaro. Mesmo assim, as operações foram aprovadas.
No dia 19 de julho, Bezerra e Monteiro citaram um caso, investigado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em que gerentes da Caixa Asset, gestora da Caixa Econômica Federal, foram demitidos depois de se posicionarem contra a compra de títulos do Master, por considerarem a operação muito arriscada.
“Após a primeira aplicação feita na reunião anterior, não sabe se todos tiveram conhecimento, mas foi surpreendido com os fatos que se sucederam em relação a Caixa Econômica Federal já com procedimentos no Tribunal de Contas da União e Ministério Público Federal com relação à deliberação que a Caixa Econômica tomou”, disse Monteiro.
“Nesse momento o comitê precisa ter cautela e ver o que realmente está acontecendo, por exemplo, designar uma comissão da diretoria financeira com um membro do comitê de investimentos para ir na instituição e fazer uma diligência extraordinária, consultar o jurídico da Amprev para averiguar, para que o comitê possa prevenir sobretudo um eventual risco de imagem da Amprev”, emendou.
Bezerra concordou com Monteiro e disse se preocupar com a exposição da Amprev ao Master: “pois entende que, a repercussão não é boa para os clientes e não sabe que efeitos futuros isso pode ter na captação líquida do Banco Master e eventualmente isso pode aumentar o risco, nesse sentido, pensa que antes de deliberar qualquer nova alocação nesse emissor, o comitê deve pedir essas explicações ao emissor, a Caixa Econômica e ao Tribunal de Contas da União, sobre o episódio que circulou na imprensa.”
Jocildo Silva Lemos, então, disse que “no mercado sempre há histórias” e que não poderia pedir manifestação à Caixa. “Sempre tem notícias envolvendo bancos, mas ver essas notícias como conversas pois não há nada concreto com procedimento”, declarou. Ele propôs a aprovação da proposta de investimento com a condição de haver uma diligência do comitê ao Banco Master com a diretoria da Amprev.
Em 30 de julho, surgiram novos questionamentos sobre a aplicação de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado em ativos do Master.
“Nesse momento está propenso a se posicionar pela suspensão desse investimento até que se faça diligência adicionais aos órgãos reguladores ao tribunal de contas da união, pois a informação que circulou foi de que esse emissor específico teve um problema envolvendo questão política e de governança junto à Caixa Econômica Federal”, disse Bezerra, segundo a ata.
“Por se preocupar pelo risco de imagem associado à posição da Amprev, ver a necessidade das diligências adicionais para que se possa afastar esse risco em potencial e assim seguir com a alocação, não está propondo que o comitê não aprove o investimento, mas que se faça as diligências para fundamentar a atuação do comitê”, emendou Bezerra.
O então conselheiro José Milton Gonçalves, que também foi alvo da PF nesta sexta-feira, argumentou que outras aquisições de Letras Financeiras do Banco Master haviam sido direcionadas ao plano previdenciário, mas que naquele momento a proposta era para o plano financeiro. Foi Gonçalves quem propôs a operação. Ao fim do encontro, a compra dos ativos do banco de Daniel Vorcaro foi aprovada por unanimidade.
Em menos de vinte dias, foram aprovadas e executadas na Amprev três aplicações em Letras Financeiras do Master, que somam cerca de R$ 400 milhões. As decisões ocorreram em reuniões do realizadas nos dias 12, 19 e 30 de julho de 2024.
A Amapá Previdência se manifestou em nota, afirmando que "se sente lesada pelos maus feitos do Banco Master e não abre mão de ser ressarcida". Leia:
"A Amprev se sente lesada pelos maus feitos do Banco Master e não abre mão de ser ressarcida. Por isso, já ingressou com todas as medidas judiciais cabíveis, conseguindo, inclusive, o bloqueio de pagamentos ao banco.
A instituição espera que a Justiça seja feita e que os contraventores do Banco Master sejam punidos.
A Amprev reforça que os investimentos realizados no Banco Master, validados pelo Banco Central, representam 4,7% do total da carteira da instituição.
Sob esta administração, o patrimônio da Amprev evoluiu 41% de 2023 para 2025, garantindo o pagamento aos aposentados e pensionistas até o ano de 2059."































