Haddad defende teto e regras para “penduricalhos” e diz que Congresso precisa enfrentar o tema
Em Salvador, ministro afirmou que verbas indenizatórias perderam o caráter de ressarcimento e avaliou que o número de auxílios pagos a servidores é excessivo


Hariane Bittencourt
Warley Júnior
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu nesta sexta-feira (6) a criação de regras claras e de um teto para as verbas indenizatórias, conhecidas como “penduricalhos”, pagas a servidores públicos. A declaração foi feita em conversa com jornalistas em Salvador (BA), onde o ministro participa de evento do Partido dos Trabalhadores (PT).
“Estou há três anos defendendo que nós possamos apreciar uma lei adequada para regular verba indenizatória. Não pode ficar sem regra. Verba indenizatória é um ressarcimento. Perdeu-se um pouco esse conceito ao longo dos anos”, afirmou Haddad.
O ministro avaliou que a quantidade de benefícios atualmente existentes não é admissível e defendeu limites para esse tipo de pagamento.
“O número de auxílios chega a mais de 30, o que não é razoável. Sempre defendi que houvesse um teto para esse tipo de regulação”, disse.
Haddad declarou que concorda com a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e diz que a regulamentação definitiva do tema depende do Legislativo.
“A solução final pra isso virá do Congresso. O ministro [Flávio Dino] tem razão Quem tem que regulamentar essa matéria é o Congresso. Talvez tenha chegado o momento de enfrentar”, afirmou.
Aprovação na Câmara e suspensão no STF
As declarações ocorrem após a Câmara dos Deputados aprovar, nesta semana, projetos de lei que reestruturam carreiras do Legislativo e podem elevar significativamente a remuneração de servidores, por meio da criação de gratificações e reajustes salariais.
Além disso, na quinta-feira (5), Flávio Dino determinou que órgãos do Executivo, do Legislativo e do Judiciário revisem, em até 60 dias, os pagamentos de auxílios e adicionais a servidores e suspendam aqueles que não tenham base legal.
Na decisão, Dino afirmou que parte desses valores, classificados como indenizatórios, funciona na prática como complemento de remuneração para ultrapassar o teto constitucional.









