BRB propõe ao BC empréstimos, fundo imobiliário e venda de carteiras para cobrir rombo do Master
Banco de Brasília apresentou plano de recomposição do capital com quatro alternativas para sanar prejuízo bilionário


Victor Schneider
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, entregou ao Banco Central (BC) nesta sexta-feira (6) um plano para recompor o capital da instituição após os prejuízos bilionários deixados pela liquidação do Banco Master, em novembro do ano passado.
O SBT News apurou que a ação envolve quatro eixos em um período de até 6 meses. São eles:
- Empréstimos com bancos privados;
- Estruturação de um Fundo de Investimento Imobiliário com posses do governo do Distrito Federal, controlador do BRB;
- Empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), gerido pelos próprios bancos;
4. Solução de mercado, com a venda das carteiras do Master.
Ao menos quatro instituições já teriam manifestado interesse nessa última solução, com uma delas bem encaminhada.
O BRB destacou em nota que o aporte total só será definido após o fim das investigações em curso para averiguar o tamanho do rombo no BRB. Também reafirmou ter compromisso “com a transparência, com a proteção de clientes, investidores e parceiros, e com a adoção de todas as medidas necessárias para preservar a integridade e a continuidade de suas atividades".
Em depoimento à Polícia Federal (PF) no fim do ano passado, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que o BRB já havia provisionado (reservado) R$ 2,7 bilhões para cobrir a fraude com a transação das carteiras de crédito e precisaria reservar mais de R$ 2,2 bilhões, totalizando até R$ 5 bilhões de rombo.
Venda de ações na Faria Lima
O SBT News mostrou que, como parte da tentativa de salvar a liquidez do BRB, o presidente da instituição Nelson Antônio de Souza viajou pessoalmente a São Paulo na quarta-feira (04) para negociar com expoentes da Faria Lima a venda de ativos que pertenciam ao Master. O pacote abarca fundos de investimentos e imóveis, incluindo um terreno na Marginal Pinheiros.
O processo para a chegada desses ativos ao portfólio do BRB é justamente o centro das investigações conduzidas pela Polícia Federal. Antes de ser liquidado, o Master vendeu para o BRB cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito que posteriormente se mostraram sem lastro financeiro.
Em novembro, o BRB informou que, desse montante, R$ 10 bilhões já haviam sido liquidados ou substituídos por outros investimentos. São esses novos ativos, que inclui terrenos, que foram repassados pelo BRB ao Master para tentar compensar as carteiras de crédito supostamente falsas que o banco distrital tenta se desfazer.
Nos bastidores do BRB, a expectativa é levantar mais de R$ 20 bilhões com a venda dos ativos que eram do Master à Faria Lima. Nesse cenário positivo, seria possível cobrir todo o provisionamento necessário para reverter o prejuízo.
De quebra, a sobra financeira evitaria a necessidade de um aporte com dinheiro público do governo do Distrito Federal em ano de eleições. Pré-candidato ao Senado, o governador Ibaneis Rocha (MDB) tem sido pressionado politicamente pela crise envolvendo o banco distrital.
BRB e Master
O grupo liderado por Daniel Vorcaro possuía quase 15% do BRB até meados de janeiro. Na prática, o banqueiro e seus aliados eram um dos principais acionistas do banco com quem negociavam carteiras podres, segundo investigação da Polícia Federal.
A descoberta motivou a abertura de uma nova investigação que vai se aprofundar na gestão da instituição, que tem como sócio majoritário o governo do Distrito Federal.
Uma auditoria externa, realizada a pedido da nova diretoria do banco, aponta que Vorcaro, o ex-sócio do Master Maurício Quadrado e o fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, teriam comprado ações do banco.









