Coronel é investigado por colocar mãe e marido como laranjas em esquema de proteção de empresários ligados ao PCC
Endereços ligados ao oficial foram alvo de operação de busca e apreensão




Fabio Diamante
Guilherme Seto
Robinson Cerantula
A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo investiga a participação do tenente-coronel José Henrique Martins Flores em suposto esquema de fornecimento de proteção a empresários ligados à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Ele é suspeito de ter colocado sua mãe e seu marido como representantes de empresas de segurança das quais ele seria o dono e assim esconder sua própria atuação.
A investigação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo SBT News.
Deflagrada pela Corregedoria da PM-SP na quarta-feira (4), a Operação Kratos prendeu o capitão Alexandre Paulino Vieira, então chefe da Assessoria Militar da Câmara Municipal de São Paulo, e dois sargentos, acusados de participação em esquema que forneceu serviços de segurança aos empresários Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, e Cícero de Oliveira, o Té.
Pandora e Té são diretores da empresa de ônibus Transwolff, suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC que, após a Operação Fim da Linha, em 2024, teve seu contrato com a Prefeitura de São Paulo rescindido.
Apontado como coordenador do esquema de fornecimento de segurança privada, o capitão Paulino Vieira enviou para Té uma nota em 3 de novembro de 2020 que serviu como pista inicial para a Corregedoria chegar ao tenente-coronel Flores e seus familiares.
A empresa que emitiu a nota - a AM3 Segurança e Vigilância - prestava serviços variados de proteção para a Transwolff, inclusive nas garagens de ônibus. A apuração da Corregedoria da PM descobriu que ela estava em nome de Fátima Canuto de Estefani, mãe do tenente-coronel Flores. Uma empresa de nome similar, AM3 Portaria e Segurança, está registrada em nome do padrasto de Flores, Antônio dos Santos de Estefani.
O marido do tenente-coronel, Rafael Bezerra da Silva, também tinha em seu nome uma empresa de segurança, a Pro Mais Facilities Ltda.

Segundo o regimento da corporação, policiais militares da ativa são proibidos de prestar serviços de segurança privada e de administrar empresas. A apuração da Corregedoria mostrou, no entanto, que o tenente-coronel Flores tinha grande participação na rotina das empresas de segurança que estavam em nome de sua mãe e de seu marido.
A investigação da Corregedoria teve acesso ao histórico de aplicativo de entregas de comida em nome do oficial, por exemplo, que mostrou presença frequente nos endereços das empresas de segurança.
A Corregedoria também descobriu que a AM3, empresa da mãe do tenente-coronel, continuou a prestar serviços para a Transwolff até janeiro de 2026, meses após a Operação Fim da Linha, que teve como principal alvo os possíveis vínculos da empresa de ônibus com o PCC.
“A prática administrativa e a experiência investigativa demonstram que a constituição de empresas em nome de familiares, nesses casos, não se apresenta como estratégia lícita de organização patrimonial, mas como meio de burla ao regime jurídico militar”, diz o inquérito.
“Não se pode admitir que a vedação legal ao exercício de comércio seja esvaziada por construções meramente formais, sob pena de se legitimar a fraude ao regime jurídico especial dos militares”, completa.
Após solicitação da Corregedoria, a Justiça Militar decretou o afastamento do sigilo fiscal e telemático das empresas do grupo AM3. Com isso, a sede das empresas e a casa da mãe do tenente-coronel foram alvo de operação de busca e apreensão, assim como outros três endereços ligados ao oficial.
Procuradas, as defesas dos citados não foram encontradas para posicionamento. O espaço está aberto.









