Manobras ilegais com motos deixam mortos e feridos e expõem risco a pedestres
Prática conhecida como “dar grau”, ostentada nas redes sociais, já resultou em atropelamentos, mortes e mais de 51 mil punições no Brasil em um ano


Vinícius Rangel
As imagens são claras: uma idosa atravessa a faixa de pedestres quando é atingida por uma motocicleta em alta velocidade. O piloto empinava o veículo e foge sem prestar socorro.
Casos semelhantes se multiplicam pelo país. Em Minas Gerais, outra idosa foi atropelada por um motociclista que realizava manobras perigosas. Já em Franca, no interior de São Paulo, a imprudência terminou em tragédia: uma adolescente de 15 anos morreu, assim como o próprio piloto da moto.
Conhecida como “grau”, a prática de empinar a motocicleta em apenas uma roda é frequentemente exibida nas redes sociais como forma de ostentação. Fora da internet, porém, a manobra se transforma em risco real de morte.
Segundo o presidente da Comissão de Trânsito da OAB, Ademir Santos, esse tipo de conduta compromete completamente a segurança no trânsito.
“Essa conduta tira totalmente a visibilidade do condutor, inclusive o tempo de resposta é praticamente inexistente quando há algo na frente dele”, afirma.
A infração vai além da multa de R$ 293,47 e da perda de pontos na carteira. Dependendo da situação, “dar grau” pode ser enquadrado como crime, caso o condutor utilize o veículo para gerar perigo comum, realize a manobra em via pública e sem autorização.
Para Ademir Santos, a punição atual não é suficiente para coibir o comportamento.“A infração de conduzir a moto com uma das rodas não mexe no bolso do condutor. Há a necessidade de se melhorar e colocar uma proporcionalidade maior na penalidade”, defende.









