Exclusivo: Grupo de Vorcaro era dono de quase 15% do BRB até janeiro
Participação acionária de fundos e empresas ligadas a banqueiro foi documentada pelo BRB; informações embasam novo inquérito da PF


Cézar Feitoza
O grupo liderado por Daniel Vorcaro possuía quase 15% do BRB (Banco de Brasília) até meados de janeiro. Na prática, o banqueiro e seus aliados eram um dos principais acionistas do banco com quem negociavam carteiras podres, segundo investigação da Polícia Federal.
As informações constam em documento do BRB chamado Formulário de Referência 2025. Os papéis foram entregues na terça-feira (3) à CVM (Comissão de Valores Mobiliários). O SBT News teve acesso às informações.
No documento, o BRB destaca a atual posição acionária do banco controlado pelo Governo do Distrito Federal.
Um dos acionistas é um fundo de investimentos chamado Borneo FIP Multiestratégia. Ele é administrado pela Reag Investimentos - grupo liquidado pelo Banco Central e alvo de investigações pelas suspeitas de envolvimento com facções criminosas e o Banco Master.
A Borneo tem 3,164% das ações do BRB. Seu balanço divulgado pela CVM revela que o fundo investe cerca de R$ 130 milhões no Banco de Brasília e possuía apenas um cotista, cujo nome é mantido em sigilo.
João Carlos Mansur, fundador da Reag e aliado de Vorcaro, também aparece na lista de acionistas com 4,553% do BRB.
Mansur entrou no BRB com seu próprio CPF --é o único acionista do banco registrado na pessoa física.
O terceiro acionista do BRB ligado ao Master era o Will Bank, instituição financeira comprada pelo banco de Vorcaro.
A fintech possuía 6,920% das ações do BRB. Como o Will teve problemas de liquidez e ficou inadimplente, a Mastercard executou garantias previstas em contrato e ficou com a participação no Banco de Brasília.
A operação da Mastercard foi realizada em 20 de janeiro. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Will Bank.
Na prática, o grupo de Vorcaro perdeu a fatia que o Will Bank possuía do BRB. Hoje, a parte do grupo representa pouco menos que 7,8% do Banco de Brasília.

Investigação da Polícia Federal
As informações embasaram a abertura de uma nova investigação da Polícia Federal sobre uma possível gestão fraudulenta do BRB durante as negociações com o Master.
O novo inquérito foi aberto após o Banco de Brasília enviar achados de uma auditoria para a PF na quinta-feira (29).
A investigação tem foco a atuação de Daniel Vorcaro, seu ex-sócio Maurício Quadrado e João Carlos Mansur, fundador da Reag.
A suspeita é que eles podem ter buscado formas de ocultar sua participação no BRB, com o uso de fundos para dificultar a identificação dos reais beneficiários dos recursos.
Procurada pela coluna, a defesa de Daniel Vorcaro esclarece que o Banco Master detinha participação acionária no BRB por meio de sua holding, devidamente registrada e dentro das regras do mercado. Segundo nota, a aquisição foi feita no âmbito de aumento de capital regularmente aprovado pelo Banco Central. Daniel Vorcaro segue colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.
O SBT News entrou em contato com a defesa de Mansur e espera resposta.
Em nota divulgada na terça (3), o BRB informou que enviou à Polícia Federal os achados da auditoria contratada para verificar os possíveis prejuízos do banco com a negociação com o Master.
"O BRB informa que vem adotando inúmeras medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais relacionadas a fundos de investimentos, garantias e carteiras de crédito, adquiridas pelo BRB, medidas estas que correm, parte em sigilo, e que serão reforçadas por novas medidas, com a maior brevidade possível, para garantir a efetividade da preservação dos interesses do Banco", diz o comunicado.









