EUA aceitam debater tarifaço com Brasil na OMC
China pede para participar do processo de consultas; diplomacia brasileira vê medida pró-forma

Donald Trump impõe novo tarifaço ao Brasil e outros países | Divulgação/Casa Branca
Os Estados Unidos informaram à Organização Mundial do Comércio (OMC) que aceitam o pedido de consultas do Brasil sobre o tarifaço. Essa é primeira etapa de um processo formal na entidade, mas ainda não há data para a reunião. De acordo com a OMC, a China alegou “interesse comercial substancial” e pediu para participar das consultas.
O governo Lula classifica o tarifaço norte-americano como ilegal e injusto, por ferir as regras do comércio internacional, e por isso protocolou na OMC, em 30 de julho, pedido de consultas sobre duas medidas adotadas pelos Estados Unidos: a taxa de 25%, atribuída à suposta concorrência desleal causada pelo Pix e pelo desmatamento; e a de 12,5%, por suposto descompromisso do Brasil com o combate ao trabalho forçado.
Apesar de ter recorrido à OMC, a diplomacia tem poucas esperanças de que a entidade possa reverter as medidas norte-americanas. Além de um processo no órgão poder levar anos, seu esvaziamento gradual reduz a capacidade de resolver divergências comerciais entre os países.
Em manifestação à OMC datada de 6 de agosto, mas só tornada pública nesta segunda-feira, os Estados Unidos dizem aceitar a solicitação brasileira para iniciar as consultas. “Estamos prontos para conferenciar com representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para as consultas”, declarou o governo norte-americano.
Na mesma data, a China fez um requerimento próprio para participar do processo entre Estados Unidos e Brasil. “Essas medidas afetam todas as exportações da China para os Estados Unidos (ressalvadas as isenções especificadas) e, em particular, as condições de concorrência para produtos originários da China vendidos no mercado norte-americano, em decorrência das tarifas adicionais impostas”, declarou Pequim.

























