Lula repete Bolsonaro e aposta em Bolsa Família para vencer
Presidente anunciou reajuste de 15% no piso do benefício a 17 dias do primeiro turno

Presidente Lula sanciona lei que cria incentivos fiscais para data centers | Reprodução
A 17 dias do primeiro turno e ameaçado nas pesquisas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recorreu a uma estratégia política que condenou há quatro anos: o reajuste do Bolsa Família às vésperas da eleição.
Nesta quinta-feira (17), Lula assinou decreto que repõe a inflação acumulada e reajusta o programa em 15%, elevando o piso do benefício, congelado desde 2022, de R$ 600 para R$ 691.
A medida terá custo de R$ 5,8 bilhões ainda neste ano e de R$ 22 bilhões em 2027, obrigando o governo a atualizar a proposta de Orçamento do próximo ano já enviada ao Congresso. O impacto fiscal repercutiu imediatamente no mercado financeiro, levando o Ibovespa a virar para o terreno negativo e o dólar a renovar máximas.
O aumento do Bolsa Família acontece após pesquisas identificarem oscilação de popularidade de Lula justamente entre os beneficiários, um público preferencial do PT, que viu a corrosão do seu poder de compra.
Em junho, o presidente tinha 68% das intenções de voto nesse grupo, contra 13% de Flávio Bolsonaro, de acordo com a pesquisa BTG/Nexus. O petista a ter 51% das intenções de voto entre os integrantes do Bolsa Família na semana passada, mas o mais recente levantamento do instituto já mostrou recuperação a 64%.
Em 2022, quando o presidente era Jair Bolsonaro, o então candidato à reeleição adotou uma estratégia semelhante para tentar se reeleger. Igualmente atrás nas pesquisas, aprovou no Congresso uma PEC que elevou o Auxílio Brasil, nome do Bolsa Família à época, de R$ 400 para R$ 600, mas com validade prevista apenas até dezembro daquele ano.
Com vários outros benefícios embutidos, como um auxílio a caminhoneiros, a emenda constitucional foi promulgada em 14 de julho daquele ano e o benefício maior começou a ser pago em agosto, menos de dois meses antes do primeiro turno daquela eleição. Na ocasião, o PT chamou a proposta de “PEC eleitoreira” e afirmou que Bolsonaro estava “desesperado com a eleição”.
Em 9 de julho daquele ano, Lula aconselhou os eleitores a receberem o benefício de Bolsonaro, mas votar no PT.



















