Sem prioridades econômicas, Planalto avalia ano de menor tensão com o Congresso
PEC da Segurança e PL antifacção estão entre os destaques do semestre, mas governo não quer entrar em embates pelos temas

Auxiliares do presidente Lula no Palácio do Planalto avaliam que os próximos meses de 2026 serão de menor tensão com o Congresso Nacional, principalmente sem prioridades do governo na área econômica. As pautas do Ministério da Fazenda consideradas fundamentais, e que tomaram maior energia da articulação política nos últimos anos, já foram aprovadas.
Outro ponto que deve ajudar o Planalto é o Congresso mais esvaziado. Por ser ano eleitoral, deputados e senadores devem focar as agendas do primeiro semestre para fortalecer suas bases eleitorais nos estados.
De acordo com auxiliares do presidente Lula, a relação com os presidentes das Casas também melhorou. Hugo Motta (Republicanos-PB) conseguiu um cargo na Esplanada do Ministérios, representado pelo ministro do Turismo, Gustavo Feliciano. Já Davi Alcolumbre (União-P) aceitou conversar com o presidente, depois de um rompimento temporário causado pelo indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda não há data para o encontro.
O Planalto cita agora quatro propostas prioritárias nas negociações com deputados e senadores: MP do gás do povo, PEC da Segurança, PL antifacção e PEC do fim da escala 6x1.
Apesar da polêmica com empresários, a expectativa do governo Lula é que a redução da jornada de trabalho seja apoiada pelos parlamentares de centro e oposição, já que tem apelo popular, em ano de eleição.
Duas propostas sobre o tema tramitam: uma na Câmara, e outra no Senado, onde está mais avançada, com aprovação no Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pronta para o plenário. Essa prevê a redução gradual de jornada de 44 horas, para 40 horas e, posteriormente, a 36 horas semanais. A PEC na Câmara ainda está na Comissão de Trabalho.
A mesma interpretação é dada para a expectativa de aprovação da medida provisória que garante a continuidade do programa Gás do Povo, atende a necessidades sociais.
Já em relação as pautas de segurança, apesar da importância dada as matérias, o Planalto não pretende comprar grandes brigas por isso. Se a PEC sair do controle, com um texto muito divergente do que chegou no Congresso, o governo indicará voto contrário.
No projeto antifacção, que aumenta penas para integrantes de organizações criminosas qualificadas, o texto aprovado no Senado, feito por Alessandro Vieira (MDB-SE), é considerado pelo Planalto como “ótimo” e “melhor do que saiu do governo”. Caso a proposta passe por novas modificações no retorno a Câmara, o Planalto também não pretende gastar energia pedindo novo relatório, irá apenas indicar voto favorável ou não.
Apesar do otimismo do governo, a base de Lula não está livre de embates no Congresso. O Planalto precisará honrar com o compromisso de pagar 65% das emendas individuais de transferência especial, chamadas de emendas pix, até julho deste ano. Auxiliares de Lula afirmam que o empenho dos valores está garantido. Além disso, senadores e deputados continuarão pressionando o governo na CPMI do INSS, que investiga desvios nas aposentadorias.
























