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Israel e Líbano retomam negociações de paz nos Estados Unidos

Encontro acontece em meio acusações de violação do cessar-fogo temporário

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O embaixador de Israel nos EUA, Yechiel Leiter, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, o embaixador dos EUA no Líbano, Michel Issa, e a embaixadora do Líbano nos EUA, Nada Hamadeh Moawad, que participaram do primeiro encontro | Divulgação

Representantes de Israel e do Líbano devem se reunir nesta quinta-feira (23), em Washington, nos Estados Unidos, para uma nova rodada de negociações. Os países discutem termos para um acordo de paz definitivo entre Tel Aviv e o grupo Hezbollah, em meio ao cessar-fogo de 10 dias.

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Israel e Hezbollah voltaram a trocar hostilidades no início de março, encerrando o cessar-fogo firmado em novembro de 2024. Os ataques começaram após o grupo, com sede no sul do Líbano, lançar drones contra Tel Aviv em retaliação à operação coordenada entre Israel e Estados Unidos no Irã, iniciada em 28 de fevereiro.

Desde então, as tropas israelenses atuam em todo o Líbano, incluindo na capital, Beirute. Além dos ataques aéreos, os militares avançam por terra no sul do país, visando expandir a zona de segurança. Ao todo, a ofensiva israelense já deixou 2,9 mil mortos, além de 7,5 mil feridos, conforme dados do Ministério da Saúde local.

Segundo o presidente do Líbano, Joseph Aoun, a delegação será responsável por pedir a extensão do cessar-fogo e estipular termos para um acordo total de paz. Entre eles estão a retirada das tropas israelenses do território libanês e a devolução de prisioneiros de guerra. Também serão debatidos meios para a reconstrução das áreas destruídas no conflito.

Em discurso, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, afirmou que trabalhará junto ao Líbano para derrotar o Hezbollah. “O Líbano continua sujeito à ocupação iraniana indireta. Estamos comprometidos em agir para garantir a segurança de nossos cidadãos”, disse.

Violação do cessar-fogo

O encontro das delegações ocorre em meio a acusações de violação do cessar-fogo. Na terça-feira (21), o Hezbollah disse ter disparado foguetes e drones contra o norte de Israel, acusando as tropas israelenses de atacarem civis e destruírem casas no sul do país. O ataque foi retaliado por Tel Aviv, que afirmou ter atingido o lançador de onde os foguetes foram disparados.

Na quarta-feira (22), o primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, disse que um dos bombardeios israelenses atingiu a jornalista Amal Khalil, de 43 anos, que atuava no sul do país. Pelas redes sociais, ele prestou condolências à família da profissional, que não resistiu, e acusou Israel de crimes de guerra.

“O ataque de Israel aos trabalhadores da mídia no sul enquanto eles exercem suas funções profissionais não são mais incidentes isolados, mas se tornaram uma abordagem estabelecida que condenamos e rejeitamos, assim como todas as leis e convenções internacionais. O Líbano não poupará esforços para perseguir esses crimes perante os fóruns internacionais competentes”, escreveu Salam.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos ainda escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, pressionando a economia.

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