Casa Branca diz que Trump não estabeleceu prazo para resposta do Irã
Porta-voz afirmou que presidente está satisfeito com bloqueio naval em Teerã, o que pode dificultar as negociações


Camila Stucaluc
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não estabeleceu um prazo para que o Irã apresente uma proposta de paz. A afirmação foi feita pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, na quarta-feira (22), um dia após o republicano prorrogar o acordo de cessar-fogo.
“Aguardamos a resposta deles. O presidente não estabeleceu um prazo definitivo para o recebimento de uma proposta iraniana, ao contrário do que alguns veículos de imprensa que vi hoje noticiaram. Em última análise, o cronograma será ditado pelo comandante-em-chefe”, disse Karoline.
Mais cedo, o representante do Irã nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, afirmou que o país só voltará à mesa de negociações quando os Estados Unidos encerrarem o bloqueio naval aos portos iranianos. O mesmo foi dito pelo presidente do Parlamento e principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf, que classificou o cerco marítimo como ilegal.
“Um cessar-fogo completo só faz sentido se não for violado pelo bloqueio marítimo e pela tomada de reféns da economia mundial, e se a belicismo sionista em todas as frentes for interrompida; reabrir o Estreito de Ormuz é impossível com uma violação tão flagrante do cessar-fogo. Eles não alcançaram seus objetivos por meio da agressão militar, nem alcançarão por meio de intimidação”, afirmou Ghalibaf.
Apesar das declarações, Karoline enfatizou que Trump está satisfeito com o bloqueio naval, sinalizando que o presidente não pretende interromper a operação nos portos iranianos. “Eles não conseguem nem pagar seus próprios funcionários como resultado dessa pressão econômica que o presidente Trump exerceu sobre eles. Então, ele está satisfeito com isso. As cartas estão na mão do presidente Trump”, disse ela.
O impasse sobre o bloqueio naval é um obstáculo nas negociações entre os países. Na terça-feira (21), a viagem do vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, ao Paquistão, onde ele deveria se encontrar com autoridades iranianas, foi suspensa depois que Teerã não respondeu se participaria do encontro, segundo o The New York Times.
Ao jornal, um funcionário do governo afirmou que o processo diplomático estava, na prática, paralisado, mas que Vance poderia embarcar a qualquer momento se o regime iraniano responder “de uma forma que Trump considere aceitável”. Outras autoridades também buscam um sinal claro de que os negociadores iranianos tenham plenos poderes para chegar a um acordo.
Entenda
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.









