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Eleição de rejeições termina num debate de rejeitados

Lula se atrapalhou com regras e palavras; Flávio teve melhor desenvoltura, mas errou na provocação infantilóide do ‘nove dedos’

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Ranier Bragon
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) em debate da Globo | Globo/ Manoella Mello

Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) em debate da Globo | Globo/ Manoella Mello

O último debate presidencial de 2026, nesta sexta-feira (23), consolidou uma eleição marcada pela polarização não só de favoritos, mas também de rejeitados.

Lula (PT) se atrapalhou muito com regras, tempos, palavras e raciocínios, mas conseguiu encurralar Flávio Bolsonaro (PL) em alguns momentos, um deles com ajuda do próprio senador – a menção ao “nove dedos”, uma provocação infantilóide repetida desde sempre por sua base de apoio.

O debate começou com Flávio claramente em vantagem, mais sóbrio (usou desta vez gravata, diferentemente do debate da TV Band), e com Lula parecendo confuso – em mais de uma ocasião, deixou de aproveitar integralmente seu tempo de réplica, apesar das tentativa de socorro do mediador, o jornalista César Tralli.

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O petista insistiu nas perguntas sobre o "tesouraço" prometido por Flávio e tentou associá-lo à redução de benefícios sociais, mas nem sempre conseguiu organizar o raciocínio.

Ainda assim, teve bons momentos. Um deles foi quando explorou a falta de familiaridade do adversário sobre o Nordeste, perguntando qual seria a "bondade decorada" que Flávio faria para a região.

Também pressionou o senador sobre o salário mínimo e o voto contrário à ampliação da licença-maternidade quando era deputado estadual. Flávio, que havia evitado responder diretamente ao assunto no debate anterior, reconheceu o erro e pediu desculpas.

O melhor momento de Lula, porém, veio na reação à ironia de Flávio de que o governo dá benefícios com uma mão e tira dinheiro dos brasileiros com "nove dedos".

O presidente lembrou que perdeu um dedo em um acidente de trabalho aos 17 anos, acusou o adversário de nunca ter trabalhado e exigiu desculpas. Flávio recuou e pediu perdão.

Apesar dessa derrapada, o senador mostrou uma evolução em relação ao primeiro debate. Reduziu o comportamento debochado e as demonstrações de despreparo e apostou, principalmente, no tema do endividamento das famílias, nos preços dos alimentos e na segurança pública.

Disse que Lula "prometeu picanha e entregou abóbora" e afirmou que os brasileiros estão chegando ao ponto de parcelar uma pizza em seis vezes. Também procurou, algumas vezes de forma sutil, outras não, explorar a idade avançada do presidente e suas dificuldades de expressão.

Flávio encontrou ainda uma boa tirada para as repetidas recomendações de Lula de que os telespectadores consultassem o Google. "Quem é que governa o Brasil? É você ou é o Google?"

Lula, por sua vez, escapou da armadilha de defender as polêmicas saidinhas –casca de banana na qual escorregou no debate da Band– respondendo ao oponente com o caso de Ana Clara, menina de cinco anos morta por um tiro de fuzil em Niterói, em 2021.

Flávio atuou na defesa do policial acusado pelo crime. Diante da mãe da criança, presente no debate, o senador tentou manifestar solidariedade, mas a chamou pelo nome da filha morta e voltou a defender a inocência do policial, cujo julgamento ainda não ocorreu.

Também ficou na defensiva quando Lula retomou a atuação de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, lembrando o episódio em que o então presidente imitou pacientes com falta de ar. Flávio tentou minimizar a cena, afirmando que ela foi tirada de contexto.

Em uma eleição normal, um debate assim, com derrapadas e acertos dos dois lados, provavelmente não resultaria em muitos solavancos.

Em uma eleição disputada voto a voto, como indicam as pesquisas, porém, uma frase infeliz, uma resposta mal formulada, um desempenho claudicante ou algum outro ponto que pode viralizar na acirrada guerra de cortes nas redes sociais podem acabar fazendo a diferença nas urnas neste domingo.

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