Análise: STF demais e debate de menos marcam 1º turno
Eleição de 2026 se iguala à de 1998 na ausência de confronto entre líderes; racha no STF extrapola para arena eleitoral

Presidenciáveis | Créditos: Divulgação/Ricardo Stuckert, Divulgação/Charles Vieira, Divulgação/PSD e Reprodução
A eleição chega à votação deste domingo (4) marcada pela ausência de confronto entre os principais candidatos e pela escassez de discussão de propostas, de um lado, e por sucessivos escândalos e um inédito racha no STF (Supremo Tribunal Federal), de outro —o que colocou ministros da mais alta corte do país no centro da disputa político-eleitoral.
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), os dois primeiros colocados nas pesquisas, não se enfrentaram uma única vez, o que não ocorria desde 1998.
Master, Dark Horse, INSS, Lulinha, Roberta Luchsinger e até Nossa Senhora Aparecida se sobrepuseram por ampla vantagem à discussão, por exemplo, sobre o ajuste das contas públicas.
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A ponto de o principal candidato de oposição, Flávio Bolsonaro, se desobrigar de dizer até agora a magnitude e de onde sairão os recursos para bancar o prometido “tesouraço” nos impostos.
Já os dez ministros do STF, alguns mais do que outros, se colocaram ou foram colocados no centro da arena político-eleitoral, com ao menos 6 dos 10 tendo direta ou indiretamente alguma ligação com o caso Master.
A essa fratura exposta soma-se uma profusão de decisões conflitantes entre si, de claro viés eleitoreiro ou em benefício próprio.
Após o cancelamento do debate da TV Globo, nesta quinta-feira (1º), o único encontro televisionado do primeiro turno foi o da Band, em 23 de agosto, com apenas três candidatos da parte de baixo da disputa –Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão).
De 1989 para cá, 1998 foi a única disputa em que não houve nenhum debate televisionado entre presidenciáveis no primeiro turno –na ocasião Fernando Henrique Cardoso (PSDB), líder nas pesquisas, decidiu não ir e as emissoras cancelaram os encontros.
O não debate da Globo coincidiu com o recrudescimento das decisões judiciais sobre episódios de impacto eleitoral imediato.
A coligação de Lula obteve no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decisão da ministra Estela Aranha, ligada a Flávio Dino, que impediu a emissora de manter no cenário o púlpito vazio do presidente e de permitir perguntas dirigidas a ele.

De forma mais exótica ainda, Gilmar Mendes, no STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a inclusão no debate de Renan Santos (Missão), cujo partido nem de longe preenche o critério de representação parlamentar previsto em lei e adotado pela emissora.
A decisão se seguia à dada dias antes pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que também passou por cima da lei e determinou a inclusão de Romeu Zema (Novo) no encontro.
A Lei das Eleições obriga as emissoras a convidar apenas candidatos de partidos com ao menos cinco parlamentares eleitos. Nem Novo nem Missão cumprem esse requisito
O debate da Globo não foi um episódio isolado. Dias antes, uma notícia falsa de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil produziu uma sucessão de decisões conflitantes entre TSE e STF em plena reta final da campanha.
Tudo isso coroou uma campanha em que o STF viveu a sua mais grave e aberta crise, com duas alas se digladiando publicamente.
Flávio Bolsonaro associa Alexandre de Moraes, Dino e outros magistrados ao grupo de “amigos” de Lula no Judiciário. Lula e o PT, por sua vez, acusam André Mendonça de patrocinar investigações e vazamentos de informações com o objetivo de favorecer Flávio Bolsonaro na disputa.
Tudo isso aliado ao salve-se quem puder diante da possibilidade real de tomada do Senado pelo bolsonarismo a partir de 2027 tornam mais questionáveis ainda várias das últimas decisões dos ministros.
A ligação entre escândalos, Judiciário e política não é novidade na história recente brasileira, vide o caso do mensalão em 2005, julgado pelo STF em 2012, e a Lava Jato a partir de 2014, mas nunca isso ocorreu tudo junto, de forma tão aguda, tão próximo a uma disputa presidencial –e, mais do que isso, com tantos ministros da mais alta corte tanto na berlinda como na suspeita de atuarem em prol de candidaturas.

























