Flávio chega a quase 60% do novo Congresso com centrão
PL, União-PP, Republicanos, Novo e Podemos terão 286 deputados e 50 senadores, próximo do necessário para mudanças na Constituição

Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência | Divulgação/Vittor Sales
A adesão do centrão à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) dará a um possível governo do filho de Jair Bolsonaro não só a maioria na Câmara e no Senado, mas uma coalizão próxima de 60% das cadeiras, o número mínimo necessário para mudanças na Constituição.
PL, federação União-PP, Republicanos, Novo e Podemos somam 286 dos 513 deputados federais eleitos e 50 dos 81 senadores que terão mandato a partir de fevereiro do ano que vem.
Mudanças na Constituição exigem o apoio de ao menos 308 dos 513 deputados e 49 dos 81 senadores.
A dimensão dessa maioria foi destacada pelo próprio Flávio nesta terça-feira (6), em Goiânia, ao receber o apoio do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD).
Ao falar sobre o Congresso eleito, ele afirmou que pretende aproveitar a nova correlação de forças "para a gente mudar a Constituição" e "redemocratizar esse país".
Flávio disse ainda que a nova composição permitirá à direita eleger os presidentes da Câmara e do Senado e afirmou que as mudanças deveriam fazer as instituições voltarem a respeitar a Constituição.
Nesta quarta-feira (7), ele citou como exemplos de “redemocratização” a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, mudanças na Reforma Tributária e o fim da reeleição, inclusive mencionando a possibilidade de ampliar o mandato presidencial de quatro para cinco anos.
Flávio ganhou o apoio formal da federação formada por União Brasil e PP. A federação, que será a terceira maior força da Câmara, com 87 deputados, tomou a decisão por unanimidade.
Republicanos e Podemos também devem anunciar o apoio nesta quarta (7) e quinta (8).
Romeu Zema, candidato do Novo derrotado no primeiro turno, já declarou apoio ao senador. A direção da legenda também prepara a formalização de sua posição.
Sozinho, o PL terá 121 deputados e 28 senadores.
Os dois principais partidos de centro hoje, PSD e MDB, tendem a manter a neutralidade neste segundo turno, mas integrantes dessas legendas já anunciaram apoio a Flávio, como o ex-presidente Michel Temer (MDB).
O PSD terá 43 deputados e 5 senadores na próxima legislatura, enquanto o MDB terá 36 deputados e 8 senadores.
Em um possível governo Flávio, essas duas legendas tendem a ficar “no fim da fila” de eventuais negociações já que têm um perfil mais de centro, com líderes alinhados por ora ao lulismo.

O tamanho do bloco de apoio a Flávio no novo Congresso
CÂMARA
PL: 121
União-PP: 87
Republicanos: 41
Podemos: 27
Novo: 10
Total: 286 de 513 deputados
55,8% da Câmara
Maioria absoluta: 257
PEC: 308
SENADO
PL: 28
União-PP: 12
Republicanos: 5
Novo: 3
Podemos: 2
Total: 50 de 81 senadores
61,7% do Senado
Maioria absoluta: 41
PEC: 49


























