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Lula mira Flávio por Trump; senador ironiza buscas no Google

Início do debate da TV Globo teve embates sobre agronegócio, fome, economia argentina e salário mínimo

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Emanuelle Menezes
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) em debate da Globo | Globo/ Manoella Mello

Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) em debate da Globo | Globo/ Manoella Mello

O início do debate presidencial da TV Globo, nesta sexta-feira (23), foi marcado por trocas de acusações entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) sobre economia, agronegócio e combate à fome. O petista acusou o adversário de apoiar as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, enquanto o senador criticou o custo de vida e ironizou a deficiência física do presidente, provocação pela qual pediu desculpas.

Um dos principais embates ocorreu quando Flávio questionou a relação do governo Lula com o agronegócio. O presidente rebateu a crítica, defendeu os investimentos no setor e acusou o adversário de se aproximar de Donald Trump para prejudicar as exportações brasileiras.

"É por isso que, quando meu adversário ficou lambendo o Trump para taxar o Brasil, eu não fiquei preocupado. Porque eu não nasci com medo de cara feia. Se o Trump não quer comprar do Brasil, eu vou vender em outros lugares", afirmou Lula.
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O petista disse que seu governo abriu 700 novos mercados para produtos brasileiros e destacou os financiamentos destinados à agricultura familiar. Também criticou Flávio ao falar sobre o combate à fome.

"Ele se importa com isso? Não. Porque onde ele mora, as pessoas não passam fome, no condomínio dele, as pessoas não passam fome. Ele não sabe o que é fome. Essa é a verdade", declarou o presidente.

Google vira motivo de ironia

As referências de Lula ao Google também provocaram uma reação de Flávio. Ao longo do bloco, o presidente pediu que os espectadores pesquisassem na internet dados apresentados por ele sobre os resultados de seu governo.

"Lula, quem governa o Brasil é você ou o Google? Tudo você diz para procurar no Google", ironizou o senador.

A provocação ocorreu em meio a uma mobilização digital promovida pelo deputado federal André Janones (Avante-MG), aliado de Lula, que tem incentivado apoiadores a pesquisar termos relacionados a acusações e controvérsias envolvendo Flávio Bolsonaro.

A estratégia busca ampliar o interesse por esses assuntos no Google Trends, ferramenta que acompanha o volume relativo de pesquisas realizadas pelos usuários.

Flávio ironiza deficiência de Lula e pede desculpas

Outro momento de tensão ocorreu durante uma discussão sobre salário mínimo e transporte público. Flávio afirmou ser favorável à tarifa zero nos ônibus urbanos aos fins de semana, proposta defendida por Lula, mas criticou os impostos e o poder de compra da população.

"Eu sou favorável à tarifa zero dos ônibus ao fim de semana. Agora, não adianta nada o salário mínimo de R$ 1,6 mil se você dá com uma mão e tira com os nove dedos", afirmou o senador.

Lula reagiu à referência à sua deficiência física e cobrou um pedido de desculpas. "Não vou aceitar ele me chamar de 9 dedos... é uma prática política muito duvidosa", disse. O presidente lembrou que perdeu um dedo em um acidente de trabalho quando era torneiro mecânico. Flávio reconheceu o erro e pediu desculpas.

Economia argentina provoca novo confronto

A situação econômica da Argentina voltou a colocar os candidatos em lados opostos. Lula questionou a proximidade de Flávio com o presidente argentino, Javier Milei, e perguntou se o adversário pretende adotar o modelo econômico do país vizinho.

O petista citou a pobreza na Argentina e cobrou um compromisso com a valorização do salário mínimo. Flávio, por sua vez, defendeu Milei e atribuiu os problemas econômicos argentinos aos governos de esquerda anteriores.

"Milei teve que consertar as coisas ruins que vocês deixaram lá", afirmou o senador.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), a pobreza atingiu 32,3% da população argentina no primeiro semestre de 2026, acima dos 28,2% registrados no segundo semestre de 2025.

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