Bolsa caiu 18,1% após eleições, preocupações fiscais e políticas monetárias; resultado só foi superado por quedas registradas nas crises de 1997, 2008 e 2020
Caio Barcellos
Foto: Cris Faga/NurPhoto/Getty Images
O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira (30) com uma queda de 0,75%, a 167.921,80 pontos. Com isso, as perdas na semana foram a ampliadas para 18,12%, a maior desde março de 2020, quando o início da pandemia de Covid-19 provocou uma onda de perdas nos mercados financeiros mundiais.
A desvalorização ocorreu principalmente em meio à reação dos investidores à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (25), que ampliou as preocupações do mercado com a trajetória das contas públicas e a condução da política econômica nos próximos quatro anos.
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O movimento foi mais intenso na segunda-feira (26), primeiro pregão após a votação, quando o Ibovespa recuou 13,88%, na maior queda diária desde março de 2020. Durante a sessão, a Bolsa precisou interromper temporariamente as negociações por meio do mecanismo conhecido como circuit breaker, utilizado para conter oscilações extremas.
As maiores quedas semanais da história
Um levantamento feito com base em dados da Bloomberg identificou três semanas desde o plano real em que o Ibovespa havia registrado perdas superiores a 18,1%.
A maior queda ocorreu em outubro de 1997, quando o índice despencou 22,2% em uma semana em meio à crise asiática. A queda foi iniciada na Tailândia e se espalhou por outros países e provocou uma saída de investimentos dos mercados emergentes, incluindo o Brasil.
O segundo maior recuo foi registrado em outubro de 2008, quando o Ibovespa perdeu 20% durante o agravamento da crise financeira internacional, desencadeada pelo colapso do mercado imobiliário norte-americano e pela quebra do banco Lehman Brothers.
Já na semana encerrada em 20 de março de 2020, o índice acumulou uma queda de aproximadamente 18,9%, diante do avanço da pandemia e das restrições às atividades econômicas adotadas em diferentes países.
Outras quedas expressivas ocorreram em setembro de 2001 —quando o Ibovespa recuou 18,1% na semana dos atentados terroristas nos Estados Unidos—, em fevereiro de 1995, com perda de 16,2% durante a crise mexicana, e em dezembro de 1998, quando a crise russa contribuiu para uma desvalorização de 16,1%.
Decisões sobre juros também repercutem
Além das expectativas da Faria Lima com a vitória de Lula, Karen Focchesatto, consultora de investimentos da Unicred, cita também fatores externos importantes, como decisões sobre juros,conflitos geopolíticos, resultados corporativos das empresas listadas e desaceleração das principais economias.
“Em momentos de maior incerteza, por exemplo, os investidores tendem a buscar ativos considerados mais seguros, reduzindo a exposição a mercados de maior risco, como o de renda variável”, afirmou.
Na quarta-feira (28), o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu manter os juros no intervalo de 3,75% a 4% ao ano, diante da persistência das pressões inflacionárias e da resistência da atividade econômica norte-americana. A decisão contou com dez votos favoráveis e dois contrários —esses defendiam uma elevação de 0,25 ponto percentual.
Na quinta-feira (29), foi a vez do Banco Central Europeu (BCE) manter inalteradas suas três principais taxas de juros. A taxa de depósito, principal referência da política monetária na zona do euro, permaneceu em 2,50% ao ano, enquanto as taxas de refinanciamento e de empréstimo marginal continuaram em 2,65% e 2,90%, respectivamente.
A autoridade monetária europeia destacou que a elevação dos preços da energia pode pressionar a inflação e prejudicar o crescimento econômico, reforçando a necessidade de cautela nas próximas decisões.
No Brasil, a atenção se volta agora para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), marcada para terça (3) e quarta-feira (4). Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, está em 13,75% ao ano, após cinco reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026.
O último Boletim Focus, divulgado na segunda-feira (26), antes de o mercado incorporar integralmente os efeitos da reeleição presidencial, apontava uma expectativa de Selic de 13,25% ao final de 2026 e de 11,75% em 2027.
Desde então, as expectativas para a próxima decisão mudaram. Um levantamento divulgado pela B3 na quinta-feira (29), com base nos preços de contratos negociados no mercado, indicou uma probabilidade de 63,1% de manutenção da Selic em 13,75%, contra 28% de chance de redução para 13,50%.
Ibovespa tem pior semana desde a pandemiaBolsa caiu 18,1% após eleições, preocupações fiscais e políticas monetárias; resultado só foi superado por quedas registradas nas crises de 1997, 2008 e 2020Eleições2026-10-30T20:59:02.246ZO Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira (30) com uma queda de 0,75%, a 167.921,80 pontos. Com isso, as perdas na semana foram a ampliadas para 18,12%, a maior desde março de 2020, quando o início da pandemia de Covid-19 provocou uma onda de perdas nos mercados financeiros mundiais. A desvalorização ocorreu principalmente em meio à reação dos investidores à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (25), que ampliou as preocupações do mercado com a trajetória das contas públicas e a condução da política econômica nos próximos quatro anos. 🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Clique O movimento foi mais intenso na segunda-feira (26), primeiro pregão após a votação, quando o Ibovespa recuou 13,88%, na maior queda diária desde março de 2020. Durante a sessão, a Bolsa precisou interromper temporariamente as negociações por meio do mecanismo conhecido como circuit breaker, utilizado para conter oscilações extremas. As maiores quedas semanais da história Um levantamento feito com base em dados da Bloomberg identificou três semanas desde o plano real em que o Ibovespa havia registrado perdas superiores a 18,1%. A maior queda ocorreu em outubro de 1997, quando o índice despencou 22,2% em uma semana em meio à crise asiática. A queda foi iniciada na Tailândia e se espalhou por outros países e provocou uma saída de investimentos dos mercados emergentes, incluindo o Brasil. O segundo maior recuo foi registrado em outubro de 2008, quando o Ibovespa perdeu 20% durante o agravamento da crise financeira internacional, desencadeada pelo colapso do mercado imobiliário norte-americano e pela quebra do banco Lehman Brothers. Já na semana encerrada em 20 de março de 2020, o índice acumulou uma queda de aproximadamente 18,9%, diante do avanço da pandemia e das restrições às atividades econômicas adotadas em diferentes países. Outras quedas expressivas ocorreram em setembro de 2001 —quando o Ibovespa recuou 18,1% na semana dos atentados terroristas nos Estados Unidos—, em fevereiro de 1995, com perda de 16,2% durante a crise mexicana, e em dezembro de 1998, quando a crise russa contribuiu para uma desvalorização de 16,1%. Decisões sobre juros também repercutem Além das expectativas da Faria Lima com a vitória de Lula, Karen Focchesatto, consultora de investimentos da Unicred, cita também fatores externos importantes, como decisões sobre juros,conflitos geopolíticos, resultados corporativos das empresas listadas e desaceleração das principais economias. “Em momentos de maior incerteza, por exemplo, os investidores tendem a buscar ativos considerados mais seguros, reduzindo a exposição a mercados de maior risco, como o de renda variável”, afirmou. Na quarta-feira (28), o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu manter os juros no intervalo de 3,75% a 4% ao ano, diante da persistência das pressões inflacionárias e da resistência da atividade econômica norte-americana. A decisão contou com dez votos favoráveis e dois contrários —esses defendiam uma elevação de 0,25 ponto percentual. Na quinta-feira (29), foi a vez do Banco Central Europeu (BCE) manter inalteradas suas três principais taxas de juros. A taxa de depósito, principal referência da política monetária na zona do euro, permaneceu em 2,50% ao ano, enquanto as taxas de refinanciamento e de empréstimo marginal continuaram em 2,65% e 2,90%, respectivamente. A autoridade monetária europeia destacou que a elevação dos preços da energia pode pressionar a inflação e prejudicar o crescimento econômico, reforçando a necessidade de cautela nas próximas decisões. No Brasil, a atenção se volta agora para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), marcada para terça (3) e quarta-feira (4). Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, está em 13,75% ao ano, após cinco reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026. O último Boletim Focus, divulgado na segunda-feira (26), antes de o mercado incorporar integralmente os efeitos da reeleição presidencial, apontava uma expectativa de Selic de 13,25% ao final de 2026 e de 11,75% em 2027. Desde então, as expectativas para a próxima decisão mudaram. Um levantamento divulgado pela B3 na quinta-feira (29), com base nos preços de contratos negociados no mercado, indicou uma probabilidade de 63,1% de manutenção da Selic em 13,75%, contra 28% de chance de redução para 13,50%.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/eleicoes/ibovespa-tem-pior-semana-desde-a-pandemia