PT faz freio de arrumação na campanha após cobrança interna
Dirigente histórico do partido, Valter Pomar tem cobrado 'vacinar a militância contra o derrotismo explícito'

Presidente Lula (PT) em evento de campanha em São Paulo | Foto: Ricardo Stuckert
O PT decidiu fazer um freio de arrumação na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após uma série de cobranças direcionadas ao dirigente nacional do partido, Edinho Silva. Uma reunião da Executiva Nacional convocada às pressas nesta quinta-feira (10) definiu novas diretrizes para a atuação da equipe do petista.
Dirigentes da sigla externaram preocupação com o que consideram uma certa "apatia" de Lula diante do cenário eleitoral. Nos últimos dias, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, deu um salto em todas as pesquisas de intenção de voto e chegou a superar numericamente o petista em algumas simulações de segundo turno.
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A ideia agora é "radicalizar" o discurso de enfrentamento a Flávio e mirar de vez o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que na avaliação do QG de campanha de Lula tenta beneficiar o senador do PL na disputa pelo Palácio do Planalto.
Desde esta quarta-feira (9), como a Coluna mostrou, o PT já vinha colocando Mendonça no centro das críticas relacionadas à crise institucional que se instalou no STF.
No horário eleitoral gratuito na TV e no rádio, a orientação é para aumentar a comparação econômica entre o governo Lula e o de Jair Bolsonaro. É o que a campanha avalia que pode melhorar a aprovação do governo, que tem piorado nas últimas semanas, ao contrário do que costuma acontecer no período pré-eleição com presidentes que estão no poder.
Após a reunião, o PT divulgou uma nota para defender a adoção de mandatos para integrantes do STF, em resposta à crise — hoje, os ministros se aposentam por idade, aos 75 anos, e podem ficar décadas na Corte. Em entrevista exclusiva ao SBT, Lula também apoiou a medida.
Dirigente histórico do PT, o historiador Valter Pomar tem vocalizado muitas das críticas e cobranças à campanha de Lula. Em seu blog pessoal, o ex-secretário de Relações Internacionais do partido defendeu nesta quarta-feira (9) que é preciso "vacinar a militância contra o derrotismo explícito".
"Há outras óbvias providências, mas delas destaco ajustar imediatamente, política e organizativamente, a linha da campanha no primeiro turno", emendou. "Espero que essa seja uma das decisões da executiva nacional do PT, na reunião marcada para o dia 10 de setembro de 2026", cobrou Pomar.
Ao sair da reunião, Edinho admitiu erros. "A conjuntura mudou totalmente. Não adianta a gente ficar com uma campanha pensada numa conjuntura de dez dias atrás", declarou o presidente do PT.

























