Campanha de Lula adota tom mais duro contra André Mendonça
Após presidente pedir o fim dos sigilos do caso Master, secretário de Comunicação do PT afirma que crise no STF é instrumento para proteger Flávio

O presidente Lula durante entrevista à Rádio Progresso, de Juazeiro do Norte (CE) | Reprodução/YouTube @LulaOficial
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mudou o tom nas últimas horas e decidiu orientar que aliados e a militância façam críticas mais duras ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A mensagem em que o petista cobrou a quebra de todos os sigilos do caso Master também faz parte dessa nova estratégia, embora Lula não tenha citado nominalmente o magistrado.
Inicialmente, aliados de Lula avaliavam que era preciso se afastar o máximo possível da crise na Corte para que o embate entre ministros não contaminasse a campanha à reeleição. Agora, contudo, prevaleceu a interpretação de que não é possível fugir do embate com Mendonça, mesmo que a ofensiva não tenha o presidente da República como principal rosto.
“Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral”, diz Lula, na mensagem divulgada nesta quarta-feira (9) em que cobrou o fim dos sigilos das investigações.
Em vídeo gravado nesta quarta, o secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, integrante da campanha, afirma que a crise no Supremo virou instrumento para proteger Flávio e apontou o dedo para Mendonça.
“A intromissão nas eleições é grave e a parcialidade do ministro relator do caso do Banco Master mantém escondidas as provas contra Flávio Bolsonaro”, declara Valadares. A publicação foi feita após a postagem de Lula.
Nas redes sociais, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), um dos principais vocalizadores da militância no ambiente digital, também mirou em Mendonça.
“Depois de mandar soltar investigados do esquema que roubou aposentados, agora Mendonça revoga a prisão do filho do Careca do INSS, apontado pela PF como sucessor do pai no esquema. Vai soltar todo mundo?”, afirmou, em referência a decisões recentes do ministro.
O núcleo mais próximo do presidente desconfia há semanas de que Mendonça vazou informações de inquéritos que atingem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para desgastar o presidente usando seu filho mais velho.
Petistas também reclamaram que Mendonça retirou o sigilo do relatório da PF que apontou o ministro Alexandre de Moraes como interlocutor frequente do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mas não avançou nas investigações sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a qual o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, pediu recursos a Vorcaro.
A mudança de rota na campanha do PT, contudo, começou a tomar forma a partir da decisão de Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, de seu cargo nesta terça-feira (8). A equipe de Lula viu o movimento do magistrado como uma forma de jogar a crise no colo do governo.
Após a série de críticas, Mendonça homologou a proposta de delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, apontado nas investigações como operador financeiro de Vorcaro. O delator confirmou o pagamento de US$ 12 milhões para o fundo Havengate, que teria sido utilizado para financiar o filme sobre a vida de Bolsonaro.

























