Eleições

Campanha de Lula testará reforma do Judiciário em TV e redes

Com STF e Moraes em xeque, equipe do presidente prepara peças para programa eleitoral na TV e redes sociais com mote de ‘reformas profundas’ no Judiciário

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Iander Porcella
Presidente Lula (PT) fala sobre plano do governo para enfrentamento a possíveis efeitos do El Niño | Reprodução/YouTube/@LulaOficial

Presidente Lula (PT) fala sobre plano do governo para enfrentamento a possíveis efeitos do El Niño | Reprodução/YouTube/@LulaOficial

Em resposta à crise no Supremo Tribunal Federal (STF) que colocou o ministro Alexandre de Moraes em xeque, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara peças de marketing para defender “reformas profundas” nos sistemas político e judicial e com a máxima “ninguém está acima da lei” como mote.

A ideia, segundo apurou a Coluna, é levar o assunto para o programa eleitoral na TV ainda nesta semana. Antes, contudo, a equipe do petista quer testar esse discurso nas redes sociais, para medir a recepção dos eleitores.

De acordo com pessoas próximas a Lula, os vídeos devem trazer um locutor defendendo as mudanças no Judiciário, sem manifestação do próprio presidente. A ideia é que as peças entrem no horário eleitoral gratuito na TV ainda nesta semana, a depender da repercussão nas mídias digitais.

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Aliados têm aconselhado Lula a manter uma distância segura de Moraes, que está no centro da crise no STF. A Corte vive uma espécie de “guerra” após o ministro André Mendonça determinar a quebra do sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que aponta Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes no Banco Master.

O discurso para se descolar da crise do STF já foi ensaiado pelo presidente do PT, Edinho Silva.

“Ninguém está acima da lei, seja um cidadão comum, um governante, um parlamentar ou até um integrante do Poder Judiciário", declarou o dirigente partidário, em vídeo publicado nesta quarta-feira (2).

Outros petistas graúdos também têm defendido as investigações, como os ex-ministros Fernando Haddad e Gleisi Hoffmann, candidatos ao governo de São Paulo e ao Senado no Paraná, respectivamente. A ex-ministra Simone Tebet (PSB), que disputa uma vaga no Senado em SP, também reforçou o coro.

A campanha teme que o desgaste de Moraes afete Lula em uma eleição que promete ser apertada, com o candidato do PL, Flávio Bolsonaro (PL), crescendo nas pesquisas. O ministro foi recentemente o articulador do armistício entre o petista e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o que destravou a pauta do governo no Congresso e atrelou ainda mais a imagem do Lula à de Moraes.

Além disso, pesquisas mostram que a população vê Lula e Moraes como aliados também devido aos embates do magistrado com o bolsonarismo, força política adversária do petismo. Relator da ação penal da trama golpista, o ministro teve papel central no julgamento que culminou na condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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