Flávio é aconselhado a evitar erro de Dilma na Câmara
PL quer tirar Hugo Motta da presidência, mas deputado articula com Centrão e esquerda; em 2015, Dilma lançou candidatura do PT contra Eduardo Cunha e perdeu

Flávio Bolsonaro em entrevista a jornalistas em Aracajú | Reprodução
O apoio público do PSD à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara acendeu um alerta no entorno de Flávio Bolsonaro. O candidato ao Palácio do Planalto tem se colocado contra a recondução do deputado paraibano, e o PL pretende brigar pelo cargo. No entanto, Motta tem costurado acordos de forma acelerada com o Centrão e com a esquerda.
Aliados de Flávio dizem que ele, caso eleito, precisa evitar repetir um erro crasso da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Em 2015, a petista tentou interferir na eleição legislativa para evitar a chegada de Eduardo Cunha ao comando da Câmara, mas o PT perdeu a disputa. Cunha, então, assumiu o posto como inimigo do Planalto e se tornou o algoz de Dilma no impeachment.
Em conversa na semana passada com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, Flávio demonstrou resistência a Motta. No PL, dois nomes têm se colocado como alternativa para a presidência da Câmara: Sóstenes Cavalcante (RJ) e Altineu Côrtes (RJ).
Para parte dos aliados de Flávio, contudo, eventual tentativa de interferência na eleição da Câmara poderia gerar o efeito inverso. O argumento é que os parlamentares tendem a priorizar a independência legislativa em relação ao Planalto. Como o voto é secreto, muitos apostam que Motta teria apoio até de uma ala do PL, que não é uma força uniforme e tem membros que integram o Centrão.
Na avaliação de parlamentares, caso repita Dilma ao tentar influenciar de forma direta a disputa na Câmara e perca, Flávio dificilmente teria o mesmo destino da petista porque o Senado barraria o impeachment, mas a governabilidade ficaria prejudicada.
Diante da movimentação do PL, Motta se reuniu nesta terça-feira (13) com a bancada do PSD e fechou acordo com o partido para sua reeleição. A decisão da legenda de Gilberto Kassab foi considerada significativa porque o líder do PSD, Antonio Brito (BA), tem aspiração de chegar ao comando da Casa, mas desta vez resolveu apoiar Motta desde o começo.
Partidos de esquerda também devem apoiar Motta para que o presidente da Câmara sirva como “contenção” a um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Além disso, o deputado da Paraíba é um dos principais integrantes do Centrão e tem como aliados próximos líderes de partidos como Doutor Luizinho (PP-RJ), citado também no PL como opção para a presidência da Casa, e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
A própria divisão no PL entre Altineu e Sóstenes é considerada um ponto fraco da sigla para angariar apoio de outras legendas.
Deputados também ressaltam que Motta tem o poder da caneta e pode angariar apoio distribuindo relatorias de projetos de lei e Propostas de Emenda à Constituição (PEC) desde agora.


























