Alcolumbre acena à oposição e evita levar 6x1 ao plenário
Há uma avaliação de que ao adotar um meio-termo, Alcolumbre agrada ao governo e evita queimar pontes com a oposição

Lula e Davi Alcolumbre estão com relação distante desde abril | Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem dito nos últimos dias a aliados que não tem compromisso de levar a PEC do fim da escala 6x1 ao plenário antes das eleições. Segundo apurou a Coluna, a declaração foi repetida na noite desta segunda-feira (31) em reunião com senadores.
Há uma avaliação no Congresso de que ao adotar um meio-termo, apenas com a aprovação da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Alcolumbre agrada tanto ao governo quanto à oposição. Esta é a última semana de esforço concentrado de votações no Congresso antes do pleito de outubro.
Dessa forma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderia usar em sua campanha à reeleição o avanço do fim da escala 6x1 durante o período eleitoral, ao mesmo tempo em que o candidato do PL ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro, contaria com o fato de o texto não ter sido aprovado por completo para evitar que o dividendo político do petista seja maior.
Aliados de Alcolumbre dizem que “servir a dois senhores” nesse momento seria importante para que ele não queimasse todas as pontes com a oposição.
No ano que vem, o bolsonarismo planeja lançar candidato próprio à Presidência do Senado — as opções são Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, e Tereza Cristina (PP-MS). Mas Alcolumbre, que pretende disputar mais um mandato no comando da Casa, ainda não perdeu as esperanças de atrair o PL, até porque tudo dependerá da composição do Senado que sairá das urnas.
As negociações sobre o fim da escala 6x1, contudo, ainda estão em curso. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, responsável pela articulação do Planalto com o Congresso, reuniu-se na manhã desta terça-feira (1º) com as lideranças governistas e deve fazer novos apelos a Alcolumbre.
A votação da PEC na CCJ está marcada para esta quarta-feira (2). Mesmo que a oposição faça pedido de vista para protelar a análise, a tendência é que o presidente da Comissão, senador Otto Alencar (PSD-BA), conceda apenas algumas horas de adiamento, o que permitiria a votação no mesmo dia. O relator é o senador Omar Aziz (PSD-AM), candidato de Lula ao governo do Amazonas.
O governo quer levar a proposta para o plenário logo após a votação na CCJ, mas para isso precisaria de um acordo de lideranças partidárias. Sem que Alcolumbre entre em campo pessoalmente, o arranjo fica mais difícil.
Além de querer o apoio de Lula e da base governista para sua tentativa de permanecer na presidência do Senado em 2027, Alcolumbre também mira o endosso do petista a seu candidato ao governo do Amapá, o governador Clécio Luís (União), que tenta a reeleição, mas enfrenta dificuldades nas pesquisas de intenção de voto.























