Política

Flávio critica senadores: "Parece que nada está acontecendo"

Candidato do PL subiu à tribuna do Senado e criticou ministro Alexandre de Moraes após investigação da PF indicar consultas de Vorcaro às vésperas da prisão

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Victor Schneider

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) subiu à tribuna no início da noite desta terça-feira (1º) para cobrar os colegas por uma posição mais enfática do Senado após a Polícia Federal (PF) indicar que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria mantido conversas com o então banqueiro Daniel Vorcaro dias antes de sua prisão.

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A PF também diz que Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci, teriam recebido cotas de aeronaves como pagamento por um contrato de prestação de serviços jurídicos de Barci, o que ela nega.

“Parece que nada está acontecendo. Enquanto eu falo aqui, tem senadores conversando, tratando de coisas mais importantes, tenho certeza. Mas até quando esse Senado vai tapar os olhos que nada está acontecendo no Brasil, que está tudo normal no nosso país? Nossa democracia está linda, plena, exuberante, mais viva do que nunca – só que não. E chegamos nesse ponto porque esse Senado, em que muitos se vangloriam de terem trabalhado pela defesa da democracia, agora não enxergam que a democracia está podre no Brasil", afirmou.

Flávio disse que o episódio deve marcar uma virada de chave do Senado, que considera viver com uma “espada apontada na sua cabeça” pelo Poder Judiciário. O candidato do PL à Presidência exigiu a abertura imediata de um processo de impeachment contra Moraes.

"O Alexandre de Moraes precisa ter o processo de impeachment imediatamente iniciado. Hoje, de ofício. Bota agora em votação aqui no plenário, porque é inaceitável continuar esse tipo de coisa aqui no Brasil", afirmou.

O discurso foi feito durante a lista de oradores que homenageavam o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que teve aprovada sua indicação para o Tribunal de Contas da União (TCU).

Há dezenas de pedidos de abertura de impeachment contra Moraes, mas a abertura precisa do aval do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

Flávio também estendeu às críticas ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que é citado por Vorcaro em conversas com Moraes. "O Andrei tinha que estar preso hoje. Se fosse o Alexandre de Moraes o relator, o chefe da Polícia Federal estava preso".

Também nesta terça, uma reportagem da revista Piauí mostrou que Vorcaro repassou ao menos US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 65 milhões) para financiar "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) obtido pela publicação aponta que os pagamentos continuaram por mais tempo do que havia sido admitido por Flávio.

A versão do senador é de que o último pagamento para o filme teria ocorrido em maio de 2025 e não configuraria ilegalidade. Mas, conforme a reportagem, o Coaf registrou uma transferência de US$ 1,66 milhão em 16 de setembro daquele ano para o Havengate Development Fund, fundo americano que administrava os recursos destinados ao filme.

Moraes e Vorcaro

Um relatório da PF tornado público pelo ministro André Mendonça nesta terça mostra que a perícia de celulares de Daniel Vorcaro encontraram várias conversas junto a Alexandre de Moraes, inclusive no dia em que Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos tentando embarcar rumo a Dubai em um jato particular, em 17 de novembro de 2025.

Vorcaro faz consultas com o ministro sobre a investigação da Compliance Zero e pediu conselhos sobre estratégias para frear o caso, inclusive mencionando o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Uma dos pontos trazidos pelo relatório é um segundo contrato firmado por Viviane Barci, esposa de Moraes, junto ao Banco Master. O acordo de três anos tinha valor de R$ 50 milhões e teria sido pago com cotas de duas aeronaves: um avião Legacy 650, no valor de US$ 5.512.951,89, e um helicóptero EC 155 B1, com o custo de US$ 1.335.014,01.

A transferência teria se valido de uma operação que oculta o destinatário final das aeronaves, para evitar um "risco reputacional" ao ministro, conforme a PF. Em nota, o escritório de Viviane Barci nega que o contrato tenha sido firmado.

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