Vorcaro consultou Moraes sobre fuga antes de prisão
Troca de mensagens periciada pela PF mostra que banqueiro sabia que Operação Compliance Zero seria deflagrada e perguntou ao ministro se deveria deixar o país
SBT News
Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes | Reprodução
Uma troca de mensagens periciada pela Polícia Federal (PF) mostra que o banqueiro Daniel Vorcaro perguntou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se deveria deixar o país dois dias antes da primeira fase da Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras no Banco Master.
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A operação prendeu Vorcaro no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em 17 de novembro de 2025, tentando embarcar rumo a Dubai em um jato particular.
No sábado prévio à sua prisão, o banqueiro diz a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Já no domingo, véspera da operação, Vorcaro pergunta: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?". A perícia da PF não conseguiu decifrar as respostas de Moraes, que foram enviadas em mensagens de visualização única.
As conversas naquele final de semana, porém, mostram que Vorcaro demonstrou surpresa com uma resposta do ministro: “Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo", diz. Vorcaro estava perto de anunciar a venda do Banco Master a um consórcio capitaneado pela Fictor Holding e um fundo de investidores dos Emirados Árabes Unidos.
Na sequência, o banqueiro cita o juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, que seria responsável por determinar a sua prisão, e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC), que decretaria a liquidação do Banco Master no dia seguinte à prisão. “Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galipolo ta sabendo? Conseguimos fazer algo?”, diz nas mensagens.
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Os diálogos constam em relatório da Polícia Federal cujo sigilo foi levantado nesta terça por decisão do ministro André Mendonça, relator da operação no Supremo.
Menções a Andrei e Paulo Gonet
Ainda em 15 de novembro, Vorcaro pergunta a Moraes: "Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?". A PF entende que o banqueiro se referia a uma tentativa de bloquear a operação com a ajuda do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
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O banqueiro reclama com o ministro sobre o avanço das investigações. "Muita sacanagem isso. Esses caras devem estar sabendo que eu estou resolvendo tudo essa semana e querem acabar com tudo antes", critica.
Depois, diz que iria finalizar o negócio entre terça e quarta e que teria mostrado a Moraes, inclusive, uma carta com a aprovação do negócio pela família real de Abu Dhabi. "Loucura essa postura na última hora, no momento que vou resolver tudo", lamenta.
Em 16 de novembro, véspera da prisão, Vorcaro fala sobre a possibilidade de adiar a operação junto a Andrei Rodrigues para a próxima semana para aproveitar o feriado da Consciência Negra, efetivar a venda do Master e evitar a quebra do banco. "Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível", diz ao ministro.
Dia da prisão
Em 17 de novembro, dia em que seria preso tentando fugir do Brasil, Vorcaro disse que havia se movimentado para adiantar parte do negócio e demonstra preocupação com o vazamento da operação para o mercado.
No fim da tarde, o banqueiro demonstra ansiedade com alguma ação combinada com Moraes: "Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?". Duas horas depois, ele insiste: "Alguma novidade?".
A última mensagem trocada com Moraes foi às 20h48 (horário de Brasília), menos de duas horas antes de ser preso. Vorcaro aparenta falar sobre a negociação para a venda do banco nas condições que encontrou.
Procurado, Moraes ainda não se manifestou.
"Tô indo assinar com os investidores de fora e estou online", diz. Pouco antes de embarcar, Vorcaro foi preso por agentes da Polícia Federal.
Vorcaro consultou Moraes sobre fuga antes de prisãoTroca de mensagens periciada pela PF mostra que banqueiro sabia que Operação Compliance Zero seria deflagrada e perguntou ao ministro se deveria deixar o país
Política2026-09-01T16:59:27.215ZUma troca de mensagens periciada pela Polícia Federal (PF) mostra que o banqueiro Daniel Vorcaro perguntou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se deveria deixar o país dois dias antes da primeira fase da Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras no Banco Master. A operação prendeu Vorcaro no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em 17 de novembro de 2025, tentando embarcar rumo a Dubai em um jato particular. No sábado prévio à sua prisão, o banqueiro diz a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Já no domingo, véspera da operação, Vorcaro pergunta: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?". A perícia da PF não conseguiu decifrar as respostas de Moraes, que foram enviadas em mensagens de visualização única. As conversas naquele final de semana, porém, mostram que Vorcaro demonstrou surpresa com uma resposta do ministro: “Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo", diz. Vorcaro estava perto de anunciar a venda do Banco Master a um consórcio capitaneado pela Fictor Holding e um fundo de investidores dos Emirados Árabes Unidos. Na sequência, o banqueiro cita o juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, que seria responsável por determinar a sua prisão, e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC), que decretaria a liquidação do Banco Master no dia seguinte à prisão. “Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galipolo ta sabendo? Conseguimos fazer algo?”, diz nas mensagens. Os diálogos constam em relatório da Polícia Federal cujo sigilo foi levantado nesta terça por decisão do ministro André Mendonça, relator da operação no Supremo. Menções a Andrei e Paulo Gonet Ainda em 15 de novembro, Vorcaro pergunta a Moraes: "Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?". A PF entende que o banqueiro se referia a uma tentativa de bloquear a operação com a ajuda do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O banqueiro reclama com o ministro sobre o avanço das investigações. "Muita sacanagem isso. Esses caras devem estar sabendo que eu estou resolvendo tudo essa semana e querem acabar com tudo antes", critica. Depois, diz que iria finalizar o negócio entre terça e quarta e que teria mostrado a Moraes, inclusive, uma carta com a aprovação do negócio pela família real de Abu Dhabi. "Loucura essa postura na última hora, no momento que vou resolver tudo", lamenta. Em 16 de novembro, véspera da prisão, Vorcaro fala sobre a possibilidade de adiar a operação junto a Andrei Rodrigues para a próxima semana para aproveitar o feriado da Consciência Negra, efetivar a venda do Master e evitar a quebra do banco. "Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível", diz ao ministro. Dia da prisão Em 17 de novembro, dia em que seria preso tentando fugir do Brasil, Vorcaro disse que havia se movimentado para adiantar parte do negócio e demonstra preocupação com o vazamento da operação para o mercado. No fim da tarde, o banqueiro demonstra ansiedade com alguma ação combinada com Moraes: "Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?". Duas horas depois, ele insiste: "Alguma novidade?". A última mensagem trocada com Moraes foi às 20h48 (horário de Brasília), menos de duas horas antes de ser preso. Vorcaro aparenta falar sobre a negociação para a venda do banco nas condições que encontrou. Procurado, Moraes ainda não se manifestou. "Tô indo assinar com os investidores de fora e estou online", diz. Pouco antes de embarcar, Vorcaro foi preso por agentes da Polícia Federal. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/vorcaro-consultou-moraes-sobre-fuga-antes-de-prisao
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