PF aponta diversos encontros entre Vorcaro e Moraes
Mensagens no celular de Daniel Vorcaro registram reuniões em residências, avisos de funcionários e conversas sobre a organização do Fórum Jurídico de Londres

Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes | Reprodução
Relatório da Polícia Federal sobre diálogos extraídos do celular de Daniel Vorcaro aponta vários encontros que teriam ocorrido entre o dono do Master e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
As conversas analisadas pelos investigadores mostram tratativas em diferentes ocasiões e locais ao longo de 2024 e 2025, incluindo a residência de Vorcaro em Brasília e compromissos em São Paulo. Em parte dos diálogos, o próprio banqueiro relata a familiares e interlocutores que estava na companhia de Moraes. Em outros casos, há registros operacionais, como avisos de motoristas anunciando a chegada do ministro e alinhamentos de segurança.
As conversas analisadas pelos investigadores registram tratativas em diferentes ocasiões e locais ao longo de 2024 e 2025, incluindo a residência de Vorcaro, em Brasília, e compromissos em São Paulo. Em parte dos diálogos, o próprio banqueiro relata a familiares e interlocutores que estava na companhia de Moraes. Em outros, há registros operacionais, como mensagens de motoristas informando a chegada do ministro e orientações relacionadas à segurança.
Os dados integram um capítulo específico do documento pericial da PF, intitulado “Outros encontros entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes”, produzido no âmbito do inquérito da Operação Compliance Zero.
A linha do tempo dos encontros mapeados pela perícia
Entre os registros destacados pela PF estão trocas de mensagens enviadas durante os encontros:
- 15 de novembro de 2024: Durante uma conversa com a filha, Stella, Vorcaro relata, às 22h02: “To com alexandre moraes ”.
- 26 de fevereiro de 2025: O motorista de Vorcaro em Brasília, identificado como Sidney, envia uma mensagem às 14h04: “Min Alexandre chegou”. Em seguida, o banqueiro repassa orientações à equipe doméstica: “Fiquem atentos ai / Poe na varanda”.

- 19 a 20 de março de 2025: Às 20h23 de 19 de março, Vorcaro avisa à companheira, Martha Graeff: “To com ministro aqui”. Pouco depois, escreve ao diretor do Banco Central, Paulo Sérgio: “To com Moraes aqui rsrs / Vai chamar paulo pra dar um aperto”.

- Na madrugada de 20 de março, às 00h32, o banqueiro informa que a reunião continuava: “Estou sim, acabou chegando hugo e ciro aqui pra falarem com Alexandre”. Segundo a PF, o encontro durou mais de quatro horas.
- 19 de abril de 2025: Vorcaro escreve à companheira que está saindo: “To indo encontrar alexandre moraes aqui perto de casa”. Ela pergunta se o ministro estava em Campos do Jordão (SP) para encontrá-lo ou a passeio. O empresário responde: “Ele ta passando feriado”.
- 29 de abril de 2025: Às 20h11, Vorcaro comunica: “Agora to com alexandre”. Mais tarde, às 22h48, após uma ligação telefônica, Martha pergunta com quem ele estava. O banqueiro responde: “Alexandre moraes”.
- 8 de agosto de 2025: Vorcaro justifica à companheira a impossibilidade de viajar: “Acho que nao amor / To c alexandre e tenho reuniao depois / Com ciro”.
Bastidores e logística do evento de Londres
O relatório da PF também descreve mensagens relacionadas à interlocução em eventos internacionais, especialmente o Fórum Jurídico de Londres, realizado em abril de 2024 com patrocínio do Banco Master. O documento também reúne tratativas preliminares para uma segunda edição do evento, prevista para 2025, mas posteriormente cancelada.
Nas mensagens anexadas ao inquérito, assessores, executivos e organizadores discutem o envio de convites a autoridades dos Três Poderes, a composição da programação de painéis temáticos, a logística de transporte executivo para ministros do STF na capital britânica e sugestões de alinhamento com a cobertura da imprensa.
As informações de polícia judiciária foram encaminhadas ao gabinete do ministro André Mendonça, no STF. O relator determinou a abertura de vista dos autos para manifestação formal da Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável por avaliar o conteúdo dos elementos reunidos na investigação.














